domingo, 30 de outubro de 2011

All Lucky Seven

Existem alguns números que são quase cabalísticos: todo mundo sabe de cor. Do 24 no veado no jogo do bicho ao número de copas do mundo que o Brasil já ganhou, é o tipo de informação que você armazena quase que um dogma: aquilo ali não vai mudar (no caso das copas pro Brasil, o fraco desempenho da seleção reforça essa tese). No meu caso, um desses números era a população do planeta. Desde que me entendo por gente, em qualquer livro de geografia do ginásio (é... olha a idade aí) o número era o mesmo: 6 Bilhões.

7 Bilhões: Esse é o número mágico da semana nos jornais. Segundo estimativa da Organização das Nações Unidas, esse é o número de seres humanos no planeta atingido esse mês. O espanto com a mudança “repentina” foi para mim, sem dúvida, algo a se pensar.

Qual o impacto desse bilhão de pessoas a mais no mundo? A principio, para nós brasileiros será muito próximo de zero, na verdade, mesmo se pensarmos no mundo como um todo, a ordem das coisas não se altera muito.

Qual o alarde então?

Alarde nenhum... se contas começarem a serem feitas. Afinal, canja de galinha e planejamento nunca fizeram mal a ninguém.

Bom, o primeiro fato que deve ser levado em consideração é que esse bilhão de pessoas nasceu basicamente no sudeste da Ásia e África. Sendo estas algumas das regiões mais pobres do planeta, espera-se uma maior concentração global da renda na mão de um percentual menor ainda de pessoas. Um desastre social, claro: 1 bilhão de novos desastres sociais, mas apenas “mais do mesmo”... longe dos olhos, das lentes e das redações dos países mais desenvolvidos .

Mas mesmo que essas pessoas atravessem a chamada linha de pobreza e passem a fazer parte da famosa classe dos “consumidores globais”?

A solução dentro do sistema atual é controversa. A nova revolução agrícola que se inicia passa por uma série de questionamentos. Os alimentos geneticamente modificados, capazes de resistir a pragas e ao clima, e portanto menos sucetíveis a quebras de safra são uma opção, mas qual a sua eficiência e a questão de saúde são ainda icógnitas.

Existe também a expansão da fronteira agrícola. Mas falar isso é invocar uma verdadeira Jihad contra os ambientalistas. Eu mesmo não morro de amores pela idéia que o homem não deve alterar ou adaptar a natureza que o cerca para gerar mais desenvolvimento e conforto para os seus similares, mas entendo o ponto e é sim necessário traçar um limite: até porque a ampliação de lavouras não é uma solução definitiva. No limite, mesmo que se transforme toda a área não-urbana do planeta em terra cultivável, chegaríamos no teto de produção e teríamos um novo problema de oferta.

Bom, ai entramos no campo da economia... e da sua famosa lei de oferta e demanda. Se meramente alimentar a população atual já se mostra um desafio econômico e logístico, o cenário fica realmente negro se imaginarmos a projeção de 10 bilhões de pessoas no final do século.

Thomas Malthus, no século XVII, já havia alertado para uma situação similar, onde a população crescia muito além da capacidade de geração de alimentos da humanidade. Bem, ele certamente não foi capaz de prever toda a revolução da agricultura que se seguiu, mas a teoria dele volta a ganhar peso nesse momento.

O ritmo de crescimento, tanto populacional, quanto em última análise o próprio crescimento econômico (antes de comprar iPads, as pessoas precisam comprar arroz), se sustenta apenas com sucessivas melhorias na produtividade do campo. Isso já foi visto no passado e foi o que desacreditou Malthus. Irrigações, rotatividade de plantio, pesticidas, maquinário no campo... todos esses impactos de produtividade garantiram que a oferta de alimentos acompanhasse a demanda na teoria.

Porque na teoria? Bem, esse na verdade é o tema central do meu texto. A apesar do crescimento populacional, o crescimento da demanda não foi proporcional. Isso nos leva a duas possibilidades: a primeira é que cada indivíduo está unitariamente comendo menos: uma espécie de dieta global... que não me parece fazer muito sentido. A outra possibilidade, que essa sim me parece fazer mais sentido é que nem todos os novos seres humanos no mundo estão entrando na “fila do sopão”. Ou seja, apesar dos modelos econômicos nos mostrarem que hoje não temos escassez de alimentos, ninguém pode afirmar isso com certeza, sem pelo menos estimar qual seria a demanda total incluindo todos os famintos do planeta. Eu não sei, e não fiz contas, mas temo que a conta não feche.

Sim, algo deve ser feito. Não acho que a situação vá causar uma situação de guerra catastrófica, como já vi algumas pessoas preverem. Mas a situação de famintos no mundo hoje, já catastrófica, vai se intensificar.

As soluções não são muito originais. E difíceis de imaginar que sejam implementadas.

A primeira é a racionalização do crescimento populacional. Nos países mais desenvolvidos e em outros nem tão desenvolvidos assim (como o Brasil) essa questão me parece bem encaminhada. Mas em outras regiões, algumas por pobreza e falta de recursos (ou falta de programas sociais), outras por falta de conhecimento e outras tantas por questões culturais (como a poligamia e falta de direitos das mulheres por exemplo), o desafio de conter o crescimento é enorme.

Outra possibilidade é a racionalização da produção e do consumo. Hoje ao longo do processo de produção temos inúmeras perdas e desperdícios, impossíveis de medir, que oneram a nossa capacidade total de geração de alimentos. Exemplos são muitos: produtos que estragam em depósitos, burocracias alfandegárias e portuárias, até mesmo pirataria. No consumo tais desperdícios também ocorrem, mas numa escala muito mais micro e individual. É mais o menos o “não deixa comida no prato menino” que ouvimos de nossas mães multiplicado por 7 bilhões.

Mas o ponto que pode gerar mais impacto na equação é uma mudança na matriz de consumo de alimentos global.

HEIN?

Explico: se fizermos uma simplificação, que para a produção de 1kg de alimento, precisamos apenas de uma área de x metros quadrados, é bem evidente que cada alimento tenha um valor de X diferente. Produzir trigo é muito mais fácil que produzir 1 kg de filé mignon por exemplo. Racionalizando esses consumos, indo em direção dos alimentos mais básicos (em geral aqueles que não gostamos de comer: legumes, verduras e frutas) e que tem uma produção mais simples em detrimento de outros (como carnes por exemplo, e vocês não tem idéia de como me dói escrever isso), é possível alimentar um maior número de pessoas com a nossa capacidade atual.

Existem várias possibilidades para fazer isso, mas já seria assunto de um outro texto.

EMILIANO CARDOSO é formado em economia, gosta de comer churrasco e não gosta de multidões. Mas estava sem nada para fazer e escreveu essas palavras.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Méier... puta que pariu.

Aviso logo, quem mora no dito bairro, não leia, pois eu to revoltado.

Bem, como muitos sabem, eu resido no incrível bairro do Méier. Detalhe, eu ainda tenho o cuidado de botar com M maiúsculo, por mais que esse bairro filho da puta não mereça. Pois bem. Vou contar historinhas que mostram o que é residir "a cá".

Eu me mudei da Tijuca para morar aqui depois de casar, como meus amigos sabem. Depois alguns dizem que não sou bom marido. Logo percebi coisas interessantes:

Todo bairro do Rio, EU DIGO TODO, tem ônibus para o centro da cidade, por que? Bem, geralmente, em todo tipo de cidade, o centro é o "centro", ou seja, onde concentra-se a maior parte das firmas, logo, maior parte dos trabalhadores. Claro que o méier bobéier nessa parada. Creiam, caros amigos, aqui passa ônibus para São Vicente, ONDE FICA ESSA PORRA DESSE LUGAR? BELFORD ROXO. Eu sou obrigado a andar pelo menos 20 minutos, tooooooodo dia, a fim de pegar um ônibus para o centro, mas tem ônibus para Belford Roxo. Quem vai ver um parente nesse lugar, não vai dar um pulinho lá, vai ser campeão de salto a distância, que é longe pra caralho. Mas para o centro, nãããããão, São Vicente, Marechal, Pavuna, siiiiiim, Centro, nãããããão. Filha da Puta.

A porra da FETRANSPOR ainda me fez um favor: até mês passado, de 6 às 7 da matina, tinha um ônibus especial que passava na minha rua, e agora não tem mais. Ou seja, não contente com essa situação ridícula de ter ônibus especial para o CENTRO DA CIDADE, a porra do bairro agora não tem nem mais esse. OBRIGADO SENHOR.

Vocês podem dizer, aah, vai de trem, VAI DE TREM O CARALHO. Já pegaram essa porra? É o cu do judas. Eu vou parecendo uma sardinha, e volto sem as pregas de tanto que aqueles pedreiros de Bangu ficam me roçando. Ainda que eu fosse de trem, teria que andar pra caralho até a estação da mesma forma. Síntese. A PORRA DO MÉIER É O ÚNICO BAIRRO DO MUNDO QUE NÃO TEM CONDUÇÃO PARA O CENTRO DA CIDADE. É FODA.

Ainda não terminei. Para quem tem carro, isso aqui também não é muito bom, não. As ruas não são padronizadas, tuu vira um peru tonto de tanto que tu roda até se achar. Todos os ônibus fazem, praticamente, o mesmo trajeto, então, imagina o trânsito; sem falar em vans (LEGAIS E ILEGAIS), Kombis (é sério) etc.... mas nenhum para o centro. Não tem aquele padrão de rua de uma mão, outra de mão diferente e assim vai. É a porra toda na mesma mão, mão dupla, mão cega mão no meu saco, a porra toda, MAS NADA LEVA AO CENTRO.


Concluí uma parada, para terminar: bairro que passa ônibus com número acima de 500 não pode ser bom, muito menos bairro que passa trem. Já percebeu isso? Quando a gente estuda geografia, a gente aprende que cidades que o trem passa, tendem a evoluir. No rio a parada é diferente. Onde o trem passa, fudeu-se. Aaaaah, mas o metrô passa na Pavuna e a Pavuna não é boa. Metrô é o caralho. Aquilo é trem com nome bonitinho e com ar condicionado. Metrô é embaixo da terra, porra.

Tive que partilhar minha revolta com esse fim de mundo que vim parar. Quando morei em Vassouras, andar até o centro da cidade demorava 20 minutos. Detalhe: passava ônibus para o centro. Aqui, demora 20 pra pegar o ônibus e mais uns 80 minutos, em dia bom, pra chegar ao trabalho. Ai, ai...

É isso. Quem mora no Méier, Bobéier sim.

Falei, mané.

Fui.

sábado, 22 de outubro de 2011

Quem tem Orkut tem medo.

                Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher! Mete o twitter, mete o facebook, mete o youtube... Amigos, às vezes fico imaginando como seria viver numa geração em que sua mulher teria que fazer o esforço de se levantar e ir até o portão da vizinha para tagarelar da vida dos outros.
                Você não percebeu? A maioria de nós enxerga como essas ferramentas sociais facilitam a exposição da vida íntima¹ das pessoas. O que a maioria parece desconhecer, é que temos, digamos, níveis de privacidade diferentes. Um manda um coraçãozinho no fim de semana. O outro coloca a foto do casal no perfil, diz que ama, que tá com saudade, fuça a vida do outro, diz que saiu, diz que foi bom, que foi longe, diz como está sendo²...
                Até aí nada mudou. Sempre foi assim e sempre será. As pessoas demonstram afeição de formas diferentes. Legal. O problema é o seguinte. Enquanto você tá falando, tem gente ouvindo. E ouvido não é penico. E quem fala o que quer ouve o que não quer. E a palavra vale prata, e o silêncio vale ouro. E pegar mulher feia é que nem andar de triciclo, é legal até um amigo ver (hum... talvez esse último não seja o mais adequado).
                Mas voltando! Do modo que vejo, isso implica necessariamente em algumas coisas desagradáveis. Na primeira, começa como uma coisa boa. A outra pessoa demonstra publicamente que gosta de você³. Só que em determinado momento o negócio desanda: uma pessoa começa a demonstrar mais que a outra. Parece bobeira, mas isso desgasta relacionamentos mais sérios, acaba com os mais bobos e colocam uma verdadeira pá de cal naqueles que estão por um fio*.
                O outro problema é que se você tem uma vida pública, as outras pessoas se sentem no direito de opinar ué**. Se você quer falar abertamente o que ocorre em seu relacionamento, bem, você provavelmente vai ouvir o que os outros acham dele também.***
                “AHHHnnn...Mas eu gosto de colocar que eu amo, que eu adoro, que ele é meu chuchu, que ela é minha fofinha, que minha sogra é uma bruxa, que ele peida debaixo das cobertas, que ela deixa a calcinha pendurada no box, enfim, eu gosto de compartilhar com os meus amiguinhos e”... JÁ BASTA! SE VOCÊ FAZ ISSO VOCÊ É UM IMBECIL! NINGUÉM QUER SABER!
               Pessoas que parecem desconhecer que sua vida particular deve ser vivida particularmente, que esquecem ou nunca souberam que falando alto você expõe o seu par e a si mesmo, que teimam em incomodar e constranger os outros com suas carências idiotas,  obviamente  não percebendo que metade dos seus “amigos” da internet só querem ver o circo pegar fogo: vão à merda.


1-Intimidade no sentido amplo, por favor.
2-Isso eu acho particularmente bizarro. A situação é: você está numa festa foda. Você para o que está fazendo; bebendo, conversando, se divertindo... Pra postar que a festa está muito boa, ao invés de curtir. Mas esse sou eu. Tem gente que gosta, eu só não entendo.
3-Acho que não preciso explicar porque dizerem publicamente que gostam de você é legal. Na verdade, isso está mais para área do amigo Pereira, psicopadeiro distraído.
*"Num tô dizendo?"
**Parece sacanagem, mas ao exato momento em que eu escrevo este texto, uma conhecida posta um vídeo no facebook da “associação das mulheres evoluídas”, em que ela coloca a cara dela e do NOIVO em bonecos de animação de flash. Ela, de domadora, sentando o chicote no lombo do malandro enquanto ele faz as tarefas domésticas. Aposto que ele achou maneirão todo mundo rindo dele dando uma de capacho.
***Exemplo real: amiguinho tava de dor de corno no facebook :“ai, tô mal”, “ah ela me deixou”, postando música do Caetano Veloso... E o seu amigo mandou na lata dele: “Aí cara, tu tá melhor assim. Ela era mó filha da puta”. Quase pude ver o seu madruga falando: “tomou, papudo?”

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

ALIENAÇÃO FILHA DA PUTA

É coleguinhas, eis aqui mais uma demonstração da minha total perturbação mental. Enquanto vosmicês trabalham, estudam ou queimam a rosca, no melhor sentido, eu fico aqui postando e hablando mal da vida alheia.

Pois bem, se eu fizesse ao contrário aí sim seria estranho.

Essa semana que passou, uma coisa me chamou atenção, ALÉM DA EXPLOSÃO IMBECIL DO RESTAURANTE, a Passeata Gay e a Passeata Contra Corrupção.

Caros leitores doentes, já perceberam uma coisinha interessante, olha como o brasileiro é um bicho estúpido, babaca e alienado. Desde já, digo que não estou com preconceito contra a passeata biba, não é problema meu, só usei como parâmetro, não tenho problema nenhum com homossexual, tenho é ódio de viado espalefatoso que não sabe conviver em sociedade.

Pois bem, reparem que coisa imbecil. Semana passada conseguiram colocar na rua 3.000.000 de pessoas para passearem em defesa dos direitos gays - diga-se de passagem, parece que heterossexual tá virando coisa do passado - e quando eu digo rua, digo no singular mesmo, pois foi em um estado somente. Agora, em um dia inteiro, no feriado, em uma dezena de estados, apenas 30.000, 10% em comparação, foram capazes de sair e bradar hinos contra Sarneys, Lulas, Dirceus etc... muito interessante né???

Você repara na falta de ideologia, na falta de instrução. Não quero discutir se os gays têm ou não de correr atrás dos seus direitos, acho até que eles têm, mas a Passeata do Orgulho Gay já deixou de ser o que era faz tempo, e virou carnaval fora de época, com um monte de gente bebendo e dançando ao som de trio elétrico.... bem que eles podiam dar uma forcinha contra a corrupção, por exemplo.

Tenho certeza que meus coleguinhas já devem pensar isso, mas valeu meu desabafo, afinal, é conversa de boteco, caralho.

Fui, mané.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

CANHÃO, BUM...

A notícia da semana, possivelmente do mês: um restaurante vai para os ares. Bem, preciso comentar sobre isso, utilizando, sempre, as minhas nuances.

Mas antes, só para não esquecer. Pereira, faz favor, para de postar essas merdas psicológicas, freudianas e o caralho, seu gay.

Agora, voltando ao principal. Meados de outubro, ano de 2011, 0700 am... eu vou, eu vou, trabalhar agora eu vou, eu vou, eu vou... chegando ao trabalho, sinto um cheiro forte de gás... ual, um dia após um feriado... gás fedendo, bem, deve tá concentrado, nééééééé? Perguntinha pra vocês, querido imbecis leitores, porra, o que que você faz se sente cheiro forte de gás??????? Fácil. Acende algo.

Ééééé. Tá todo mundo chorando. Oh tragédia, oh factóide, quem é o responsável, quem vai preso. É o caralho. Quem tinha que ser preso é a anta que acendeu uma lâmpada INCANDESCENTE.... CARALHO, LÂMPADA INCANDESCENTE, o cara não sabe o que isso significa.

Ainda há dúvidas, na verdade, se foi lâmpada que o zé bunda acendeu, ou um cigarro, UM CIGARRO COM CHEIRO DE GÁS? Agora pensa, o cara não sabe o que fazer com cheiro de gás, imagina o que ele preparava de comida lá, né? Maravilha.

Meus sinceros pêsames a todos os familiares das vítimas, mas porra... mereceu, Carvalho, mereceu.

Os caras nunca brincaram de carniça né???

"Canhão bum", explodiu, perdeu. Mané!!!!

É isso aí, falei.

Fui.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eu incômodo

Me interesso particularmente por algumas ideias expressas nos textos da bichona do Caio... Neste último, em particular, algo sobre "vontade pura", ou "animus", ou whatever...

Vou tentar ser o mais breve possível, prometo!

Quando se fala em uma vontade pura, intrínseca, isenta de interesses externos ao indivíduo, alguma coisa me incomoda. Não sei ao certo se é a vontade de acreditar, ou a incapacidade de contemplar isso. E o incômodo não se contenta em incomodar: ele argumenta também.

Ora, primeiramente, o que é um indivíduo? Certo que o Luft tem algo a dizer sobre isso de maneira bem simples... agora, o que é um indivíduo humano? Botou o humano no meio, fudeu! O indivíduo humano é que nem um átomo: é indivisível, mas tem n partes constituintes...
E se é assim, como dizer que há uma vontade pura, imaculada, que só diz respeito ao indivíduo, quando o próprio indivíduo não é uma coisa só?
Caramba, quer dizer que eu não sou eu? É mais ou menos isso, mas não exatamente. Você é você, só que você não é só você. Tá complicando? Este é o ponto!

Vamos deixar o indivíduo de lado, e chamá-lo sujeito. Pois bem - continua argumentando o incômodo -, o sujeito humano só se torna um sujeito humano depois que aprende a falar, andar, raciocinar, e por aí vai. Resumindo, depois de se inserir num contexto social, interagir, internalizar símbolos, conceitos, enfim, se inserir numa cultura.
Desse modo, as únicas manifestações mais próximas de uma vontade pura (o que alguns chamam de desejo), devem ser aquelas que não passam nem perto de se ter consciência, pois esta já foi há muito maculada por essa cultura externa (quiçá criada por ela), e jamais será pura de novo.

Opa, peraí, caceta! Então, de algum modo, eu posso manifestar esta vontade pura, se não for algo consciente?! - Aqui o incômodo alfineta: o problema é o "eu". Esse eu não é só isso ou aquilo, é isso e aquilo. E aquilo outro também.

E assim, quando me canso de discutir com o incômodo, ele me dá o golpe fatal, revelando Eu sou você, cara... Reconheça-se!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

ESSA PARADA, PORRA

Concordando, sabe-se lá por que, com meu caríssimo amigo e futuro compadre VIVI (esse é o nome dele, não mais o apelido), foi dada a largada para a falta do que fazer. Chegamos ao fundo do poço. Pior é que o nosso mentor, líder, cabeça, gay, Caio, escreve um maldito post com 1.524.148.214.000.000.000 palavras. Só para não perder o hábito, lembrando sempre do eterno Barbarians Village, caro Vivi, haja visto tá errado, sua anta, é haja vista.
Agora, insight, não comentei o post do Caio, falo aqui. Acho real e valiosa a ideia. Usar isso aqui como terapia não é a real intenção e é realmente uma falta do que fazer, e por acaso é o que mais vemos em blogs por aí. Tenho uma ideia para todos: VÃO BATER PUNHETA. Claro, para as mulheres eu não aconselharia isso, mas agarantio, é libertador.
TAMO JUNTO. VAMO RIR, ZUAR E FALAR MAL DE TUDO. MAS SEM PALAVREADO FEIO, CARALHO

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Foi dada a largada!!! Eu disse A LARGADA.

E não foi uma largada de barro numa cerâmica qualquer pela cidade, como meu querido amigo Lucas costuma fazer, em busca dos 100 banheiros (e eu, humildemente, sabendo que jamais o ultrapassarei, também ando fazendo "arte" por ai sempre que posso, ou que dá vontade. Literalmente). Foi dada a largada para eu ajudar o Caio aqui. Mais um lugar para defecar pela boca (ou não... Pelos dedos). Tentarei ajustar o tom de meu palavreado (ou seja, o mais chulo, grosseirão e Conan possível, travestido de uma boa dose de sarcasmo e machismo velado) a esse templo do saber (saber fuder, saber jogar sinuca, saber beber cerveja e saber fazer churrasco). Prometo usar e abusar do parênteses (haja visto) e maneirar no bom senso (sempre que necessário!). Acima de tudo, prometo não ExcRevEr AxiM.

Fim de papo, away.

VAMBORA, PUTADA!

VOU FAZER E FODA-SE!

Sinto pena de quem vive sempre com prazo para criar. Não quem tem que apresentar relatórios, prestar contas, essas coisas. Isso todo mundo faz! Estou falando de quem tem que de fato CRIAR algo inteiramente novo, do zero. Você, caro leitor, que dispensa minutos preciosos do que deveria ser um dia altamente produtivo para ler minha percepção esdrúxula do mundo, não sabe que escrever estas bem traçadas linhas¹ exige cada fibra do meu ser. Não é porque seja realmente difícil ou desgastante, mas sim porque às vezes não se tem nada de útil para compartilhar. Ou porque não é o momento de compartilhar. Ou porque não se está com vontade de compartilhar (não se sintam assim, eu também amo vocês).
Passei algum tempo com a cara enfiada no papel tentando escrever algo que vinha me incomodando de um tempo pra cá, quando percebi que tinha escrito uma lamúria digna das novelas do SBT, tipo Maria do Bairro, Maria Mercedes, Marimar, essas coisas bisonhas. E vi também, que não estava realmente acrescentando em nada aos amigos, que vem aqui sempre na esperança de ler algo com o mínimo de objetividade.
Eu sei que já está parecendo um melodrama, mas deixa eu molhar o bico. Embora este seja um blog pessoal, e que por várias vezes eu vá colocar minha cara a tapa, não se trata de forma nenhuma de uma sessão de terapia em que eu vá ficar derramando problemas em vocês, porque este é um espaço comum, e o legal é o compartilhamento de experiências e percepções. A idéia é criar soluções ou, pelo menos, incitar o questionamento.
Tá. E daí? Daí, criatura das trevas, que embora esse não seja o lugar pra isso, acredito mais e mais que esse egoísmo é essencial para o nosso funcionamento saudável. Não de ficar alugando os outros com sua respectiva novela mexicana, mas de ter um tempo para si, só para si. Não é pra você e esposas, maridos, filhos, amigos, empresa, instituição de caridade, qualquer coisa. Pra VOCÊ, egoisticamente para VOCÊ e SÓ PARA VOCÊ.
“Que pensamento egocêntrico!”. Sim, mas não de uma forma pejorativa. É questão de se valorizar, se respeitar, de se sentir merecedor de coisas boas. É um procedimento complexo de amar a si próprio, sem culpa. (tire a mão de dentro das calças, não é desse tipo de autoamor que eu estou falando!).²
Viver, todo dia, um pouco para você, e não para os outros. E isso é um ponto crucial e tem que ficar bem claro aqui: observando como outros levam a vida, tem-se a impressão de que a maioria do que se faz é em função própria, estudar, trabalhar, malhar, enfim, coisas individuais em que o único beneficiado é o próprio. Mas existe um elemento subjetivo que é fundamental para se alcançar o tal “fazer para si mesmo” que proponho.
Esse elemento subjetivo é o Animus. É a vontade legítima e pura de querer fazer aquilo porque lhe dá prazer, e isso é extremamente difícil de obter. Por quê? Bem, porque nós já estabelecemos padrões que nos fazem acreditar que algo é certo ou errado, que temos que fazer algumas coisas e nos abster de outras, sentimos necessidade da aprovação de uns ou queremos negar o posicionamento de outros, enfim, existe o IN, e existe o OUT.
O IN seria tudo aquilo que se faz para si, mas que se espera uma resposta positiva de um determinado segmento alvo. Passou no vestibular e orgulhou seus pais, ficou fortinho e agradou sua namorada, fez um doutorado e convenceu a si mesmo que é fodão... O OUT, também é feito em seu prol, mas a idéia é criar uma reação negativa. Encheu a cara e entrou na porrada, usou drogas e esqueceu problemas, pegou alguémpra incomodar outro alguém...
O fazer para si mesmo PURO tem um tom de foda-se. Ele pode ser IN ou OUT, mas o agente não está se preocupando com qual reação aquilo vai causar em outros, ele está fazendo porque quer de verdade.
Mas também não adianta dizer “eu vou fazer e foda-se”, que também não é por aí. Nessa caso você está meramente assumindo os riscos daquela ação.
TÁ BOM. ENTÃO COMO É QUE É?! É o seguinte: feche os olhos... NOT! Peraí, você tem que ler o texto. Faça o seguinte: pergunte a si mesmo e responda rapidamente. O que eu quero agora? Pronto. Você fez. Só que em ato contínuo você começou a pensar nas conseqüências. Aqueles poucos segundos, em que você disse o que queria fazer sem ter pensado no que ocorreria se você de fato fizesse, foi o momento em que você agiu com maior honestidade em sua vida. Você na verdade nem pensou nas consequências, o que é libertador, mas impossível de levar a cabo. A não ser que você seja muito tapado pra não enxergar o que seus atos desmedidos podem acarretar: passar a mão na bunda de mulher acompanhada, dar um soco no seu chefe, dizer o que você acha que a mãe do seu professor faz pra viver e por aí vai³.
PORRA! Quer dizer que você ficou me alugando com uma coisa que não é pra fazer? Ahn...Bem...Como dizer...SIM. Pegadinha do malandro, ié-ié!
Calma. Só queria dizer que há um ideal de vontade pura. O que eu quero que vocês façam de verdade é o “vou fazer e foda-se”. Nesse, meus caros, você assume os riscos do empreendimento, mas faz assim mesmo porque é importante para VOCÊ, SÓ PRA VOCÊ. Esse é o ponto. Embora nós cobremos e sejamos cobrados determinado comportamento todo dia, ainda somos indivíduos com afinidades únicas.
É isso. Se você quer de verdade fazer algo, faça. Só tente se certificar de que não é um crime antes. Boa sorte!

1-Claro que são bem traçadas. Formatação de Word!
2-Sério. Tire as mãos de dentro das calças.
3-Não. Não importa se ela realmente presta tais serviços. Aqui não cabe a exceção da verdade.