Acabou senhores. Acabou. E o resultado está aí: após a
“festa da democracia” todo mundo já sabe quem são os seus prefeitos e
vereadores para os próximos 4 anos... para o bem ou para o mal.
Ah, tá de sacanagem, deve estar pensando você, inadvertido
leitor, MAIS UM TEXTO de política? Ainda mais nesse blog, conhecido
(conhecido??? Ok, peguei pesado.) por ter um approach a temas mais cotidianos?
Bem... ok, estou falando de política, mas é só pra dar um contexto no meu
ponto. Um pouco de paciência que já molho o bico.
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Freixo na Cinelândia
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Não acompanhei de perto as eleições das demais cidades (vi
pouca coisa do segundo turno em SP), mas acompanhei bem de perto a eleição no
RJ. E aqui, na minha cidade, vi um movimento muito interessante em torno de um
candidato (ok, foi do Marcelo Freixo mesmo)... e esse nesse ponto que eu queria
chegar.
Não meu caro amigo eleitor do Freixo. Não estou aqui para
chamá-lo de “freixete” ou coisa do gênero. Estou aqui para fazer algumas
críticas, CONSTRUTIVAS, ao movimento que dominou o Facebook em Agosto e
Setembro. (Aliás, esperei para escrever esse texto para não ser bombardeado
pelo Efeito Gralha logo após a derrota nas urnas. Efeito Gralha? Aguarde meu
próximo texto).
Em primeiro lugar. O movimento foi elitizado. (espaço para xingamentos e mimimi aqui).
Sim senhores, e a votação do Freixo não me deixa mentir. AH, grita o eleitor do
Freixo mais exaltado, mas o Eduardo Paes ganhou em áreas dominadas pela
milícia!!!!! Verdade, mas onde ele mais ganhou votos? Eu lhes digo... foi na
área de Manguinhos (aqui), que apesar de ainda dominada pelo tráfico, teve um novo
conjunto habitacional (aqui), e algumas obras meia boca... bingo. Todo mundo votou
nele. Eleitoreiro? Sem dúvidas. Mas sinceramente não consigo criticar um
prefeito por fazer um planejamento de habitação para áreas carentes (com
relação a como essas casas foram distribuídas aí sim, posso ter –e tenho- algumas
ressalvas).
Ainda no elitismo... onde o sr. Freixo teve mais votos? Zona
Sul. Aí rapidamente vem a tona aquele argumento maravilhoso: “ah, na
Zona Sul as pessoas são mais esclarecidas, por isso o Freixo teve mais votos
lá”. Bom, dica para as próximas eleições: evite chamar o eleitor de burro.
Dificilmente ele votará em você (ou no seu candidato) assim. E não, as pessoas
da Zona Sul não são necessariamente mais esclarecidas politicamente. Em
realidade, as pessoas respondem a estímulos, e em política não é diferente. As
obras que moradores da Zona Sul chama de “eleitoreiras”, as vezes é tudo que um
morador do subúrbio queria na rua dele... e ele vota em alguém que fez algo por
ele. Antes que façam algum tipo de comentário contrário, gostaria de lembrar a
todos que o César Maia foi prefeito do Rio TRÊS VEZES. Usando exatamente essa
prática, e com votações expressivas dos “esclarecidos politicamente”.
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Não basta criar, tem que se aproveitar.
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Acho que faltou ao movimento pró Freixo um pouco de
humildade. Entender que a cidade é muito vasta e diversa. E que PRINCIPALMENTE,
eles representavam uma parcela da sociedade, e não o todo. Exemplo: aumento da
passagem de ônibus atinge a CLASSE MÉDIA (que votou no Freixo). O pobre anda
com Vale Transporte e o filho dele estuda em colégio publico e não paga
passagem. E mesmo quando ele paga, ele agora pega o Bilhete Único (devidamente capitalizado politicamente pelo nosso amigo Dudu Paes) e paga uma
passagem só (ele mora longe do trabalho, lembrem-se disso). Isso não faz parte
da nossa realidade.
Ainda assim, vi diversas vezes no Facebook (e
presencialmente também), de diversos grupos de amigos diferentes, “todo mundo
que eu conheço vai votar no Freixo, impossível o Paes ter mais de 50% dos
votos”. Exatamente esse tipo de pensamento mostra não conhecer a população
carioca. Exatamente esse tipo de pensamento que faz surgir o seguinte tipo de
comentário:
- Puta que Pariu, esses Freixetes são chatos para
caralho!!!!
EMILIANO CARDOSO votou no Marcelo Freixo, mas não é Freixete

