quinta-feira, 15 de novembro de 2012

MORRE FUNK!


Funk é uma merda.

Não sei nem porquê vou estender este texto quando a frase de início condensa uma idéia completa e perfeita. Talvez seja um desabafo.

A geração de 80 e 90, compreendendo hoje os adolescentes e jovens adultos, é muito liberal. Somos, é claro, uns mais que outros, mas o ponto é que compomos um grupo que tem a tolerância como ponto chave das relações, e mesmo que ainda haja preconceitos raciais, sexuais e étnicos dentro do grupo em comento, é consideravelmente menor do que das gerações anteriores. E, mesmo que você seja dessa faixa etária, mas entenda que não pertence a esse grupo liberal, pode ter certeza que sua idéia será pelo menos parcialmente vexada, pois mesmo que exista discordância, a tolerância é de lei.

Tá. Mas o que tem que ser falado é que tolerância é pra coisa que preste. Defender direitos de um grupo, legal. Defender música escrotalmente chata, não.

Alguém vai vir e dizer, mas gosto musical é opinião, que deve ser respeitada –cada um houve o que quer!. E eu vou dizer: PORRA NENHUMA!

Primeiro que não vou compactuar com essa parada de ficar colocando músicas de “joga o bumbum pro alto” em festa de dia das crianças. Cara, sem moralismo barato, mas uma coisa é ensinar educação sexual à criançada e outra é colocá-la pra ficar balançando a bunda. Essas crianças já vão fazer sexo antes do que seus pais esperam, não precisa vir um filho da puta ensinar movimentos espetaculosos de ator/atriz de fime pornô.

E segundo, e mais importante, para que cada um ouça o que quer, não se pode impor o seu gosto musical ao outro, ou seja, quem tem que ouvir é você, e não o seu vizinho. Esse é o segredo do funk: o último volume, incomodar quem não quer ouvir aquela parada. Essa música que não embala nem o nenê do capeta, só é tocada aos berros. O carro do funkeiro só anda com as janelas abertas e o som no máximo, e aparentemente o tipo musical não toca em fones de ouvido.

Aliás, tá aí uma boa pergunta. Será que tem alguém que chega em casa e fala –puxa, vou ouvir aquela música do“se ficar de caôzada a porrada come” baixinho no meu quarto. Ela sempre me emociona, e aquela mulher tem uma voz tão linda...” Ora... Vá dar meio quilo de cu. Se existir, essa pessoa tem que ser internada! O funk foi desenvolvido especificamente para amolar terceiros, por isso a incapacidade de seus ouvintes de sofrer sozinhos.

Cara, diferente do que alguns professam, funk não é movimento cultural, não é expressão de nada e não transmite idéia alguma além de três já pré-estabelecidas: Alguém vai comer alguém, alguém vai apanhar e o X-9 vai pegar fogo. Até quando o autor genial tenta fazer uma letra fora da sua alçada de conhecimento fica uma coisa idiota do tipo “glamurosa, rainha do funk. Poderosa, olhar de diamante”. Digno de pena.

O funk, esse lixo, em muitas coisas se compara ao rap norte americano. Não estou nem de longe defendendo o rap, que é outra porcaria, só que esta está mais longe e é , portanto, menos pior.

A diferença é que o rap pelo menos é bancado por uma megaindústria internacional que produz a bagaça. Isso não é uma coisa boa, difundir aquela merda. Mas pelo menos, tem sempre uns músicos de verdade por detrás daqueles palhaços cheios de diamantes na boca pra fazer uma batida nova, um arranjo diferente... Aqui não, a gente ouve o mesmo “tchugu-tchugu-djá”desde a época do endereço do baile.

Aliás, bem lembrado, esse saudosismo do funk antigo só se justifica porquê tati-quebra-barraco, MC Créu e Valesca popozuda são indefensáveis. Mas“ô quebra corrente, é vacilação”, “rap do silva”, e “eu só quero é ser feliz” também sofriam do mesmo problema da musicalidade e são chatos pra cacete.

Pra situar, se você vai numa festa, chopada, aniversário, ou qualquer evento que o valha e você tá bebaço e dá uma zoada, ou você é mulher e gosta de dançar, não é pra se sentir ofendido com esse texto. Agora, se você chega em casa e liga sua playlist cheia de funk, você precisa de ajuda. Profissional, especificamente. Se você acha que não precisa de ajuda, pois bem, saiba que você gosta de merda. E quem gosta de merda é um coprófago, google it!

Por fim, toda vez que lançam um funk eu crio uma esperança nova de que o fundo do poço foi alcançado, e que daquele ponto só se poderia melhorar. Estou sinceramente cansado de ser surpreendido com a inventividade dessas criaturas de piorar semelhante bizonhice. Acho que vou depositar minha fé na mega sena que eu tenho mais chance de retorno.

Vai tomar no cu funk.

Sinceramente,

Caio Augusto.

 

*Já ouvi de alguns músicos (sim, plural) que funk, tecnicamente falando, nem música é. Parece que falta algum elemento. Mas não quero e nem posso entrar nessas erudições. Deve ser uma regra bem basal, tipo: a música não pode ser igual ao produto final do sistema digestório.

 

 

 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nota rápida: Os porradeiros são os novos posers.

O assunto não veio de uma mesa de bar, mas sim do show do Flogging Molly, show esse que poderia ter sido muito mais tranquilo se não fosse essa nova leva de posers que está enfeiando o rock' n roll brasileiro. Vejam os senhores que nós redatores deste blog estávamos curtindo o show anteriormente mencionado quando em uma roda eu vejo um gordinho nada a ver dando uma gravata e tentando derrubar um dos amigos que não estava fazendo nada. Nesse momento separei-os e o indivíduo ainda tentou pensar em arrumar um tumulto comigo. Apesar de não querer confusão, tive que defender meu amigo. Nada aconteceu, mas me ausentei das rodas posteriores, pois não gosto de briga e roda de rock não é pra isso. Tanto que no show do System of a Down no Rock in Rio 2011 tiveram várias rodas e nada aconteceu, inclusive tinha um cara gigante, que serviu no Haiti e que estava empolgado contando como ouvia as músicas quando não estava em serviço. Agora eu pergunto, o que leva um moleque criado a leite com pêra achar que é brabo quando um cara realmente brabo fica na paz? É um POSER, acha que por ouvir Matanza é porradeiro. É amigos, esse tipo de show hardcore agora só vale a pena em lugares seletos com roqueiros de verdade como em Duque de Caxias, por exemplo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O grilo, a formiga, o ENEM e a juventude brasileira.

And so it came to pass that the countess.... ah não é sobre isso que eu ia falar não, sequelei...

E aqui está meu primeiro post nesse magnânimo blog de discussões inteligentes e virtuosas disfarçadas de conversa de bar, só que no meu post eu não vou usar aquelas figuras de linguagem de mesa de bar. Pois é, não fiquem chateados, o que acontece é que eu estou focado na fábula do grilo e da formiga. Já posso ouvir os idealizadores do blog falando "caraca lá vem aquele gordo grisalho sequelando", não se exaltem meus caros, eu pensei muito nesse assunto e essa comparação toda me veio em mente e coube como uma luva no contexto do caso da molecada que perdeu o ENEM nesse final de semana do feriadão de finados, que eu sublinhei, pois me deixou perplexo e até arrisco dizer abilolado.

Acredito que todos já leram sobre a quantidade de gente atrasada para o ENEM não é? É impressionante, não pelos atrasos em si, todo concurso tem isso, nem pelo fato de adolescente ser despreocupado já que é nessa idade que todo mundo erra e acaba aprendendo com os erros, o que impressiona são as circunstâncias da coisa. Primeiro ponto: feriadão, a prova foi realizada em um final de semana de feriadão. Quem ficou no Rio pode ver os monstruosos engarrafamentos migratórios de quinta-feira e o deserto que ficou a cidade. Não estou exagerando com o termo "deserto" realmente estava tudo vazio, inclusive para não falar que eu não estou falando nada sobre mesa de bar, se você queria tomar uma cerveja sossegado nos bares da praça Varnhagen na Tijuca era fácil, tão fácil quando chegar na hora da prova do ENEM. Então meus caros féculas, qualquer um com boa vontado o suficiente chegava nessa prova na hora, sem desculpa nenhuma de engarrafamento. Segundo ponto também relacionado ao horário: prova 13h. Preciso falar que nem necessidade de acordar cedo tinha?

Por último e não menos importante fica uma pergunta: em quanto tempo se esgotaram os 80.000 ingressos do Rock in Rio 2013? Menos de uma hora. Pois é, aposto uma bala juquinha que tem gente que perdeu o ENEM, mas certamente não perdeu seu lugar no evento, cujo line up ainda nem foi divulgado. Volto a falar que não tem como cobrar seriedade de adolescente, eu não sou maluco, apenas aparento. A coisa toda está no link com o grilo e a formiga, fábula que todo mundo já ouviu quando pequeno e que tem uma lição que tira onda e resolve esse tipo de inversão de valores. É legal garantir seu lugar num evento musical? Sim, claro que é, mas isso tem que ser feito com consciência. Você não vai perder um vestibular pra isso, não vai deixar de pagar contas pra isso, ou pelo menos se se esforçou pra estar lá entre os primeiros tarados que compraram o ingresso, use esse esforço para sair de casa mais cedo para ir a um momento tão importante da sua vida. Pior do que esses moleques são os pais, se seu filho não entendeu que ele tem que sair de casa cedo, encha o saco dele. Se um pai não cobra que o moleque saia de casa na hora e deixa ele correr o risco de perder uma prova importante dessas, o que mais ele está deixando passar? Claro que muitos dos inscritos vêm de famílias desajustadas até sem pais presente, mas muitas vezes esses são os que mais se esforçam.

É... esses são momentos que a gente pensa que essa garotada hoje em dia não quer nada com a hora do Brasil. Eu particularmente, além de ficar pensando que esses atrasados são bem idiotas, ainda acredito nos que chegaram na hora e se esforçaram para começar a garantir seu espaço ao sol. Também acho bem legal o fato de cada vez mais o "jeitinho brasileiro" de tolerar qualquer atraso estar se enfraquecendo, e pr sua vez, fazendo um exame minimamente sério, não só para dar chance para quem se erforça, mas também para avaliar o ensino médio do país, vai que esses dados são usados para melhorar nosso ensino não é?

Fim de papo. Falei demais.