sábado, 6 de agosto de 2011

APERTAR OU NÃO O BOTÃO VERMELHO?


                Após minha nota introdutória, é tempo de alçar novos vôos em busca do que eu imagino ser o objetivo desta coluna. A primeira coisa que vocês devem saber é que elas se pautarão sobre tudo aquilo que eu acreditar digno de comento, desde fatos públicos e notórios até experiências pessoais recheadas de preconceitos e totalmente malháveis.
                Menos ladainha, mais ação! Saibam meus caros, que minha banda favorita é o RUSH, e só de escutá-la já se ativam questionamentos ferozes em minha cabeça. Dessa vez eu estava ouvindo a música “The Manhatan Project”(aliás, a estou ouvindo repetidamente no momento em que escrevo). A dita música fala do desenvolvimento, construção e utilização da bomba atômica ao fim da segunda grande guerra. Ou pelo menos parece.
                Em três versos da música ele, Geddy Lee, canta( porra, até me emociono): “imagine a man, when it all began...”¹. -No primeiro verso-a scientist pacing the floor, in each nation eager to explore to build the best big stick – No segundo –All of the brightest boys, to plays with the biggest toys – No terceiro – The pilot of Enola Gay, flying out of the shockwave!Essa parte do “flying out of the shockwave” era desnecessária para o argumento, mas é tão foda que não tem como tirar.
                Tá, a música é maneira. E daí? E daí, meu caro fécula, que como bem apontado pela banda, toda e qualquer ação, desde pegar um simples copo d´água até a obliteração de algumas cidades japonesas, em algum momento, é totalmente controlada por um único homem. SE o cientista não estivesse inclinado a utilizar um meio de impor suas vontades através da força, SE os gênios tivessem se recusado a usar seus conhecimentos para a construção do artefato, SE o piloto não tivesse pressionado o botão vermelho...
                Um minuto para o ceticismo: outro teria feito e o resultado seria o mesmo.
Não vou entrar na discussão porque no fim ela terminaria com dois lados inconciliáveis: um pregando que a abstenção de todos modificaria o resultado; e outro, que considera impossível a recusa de todos, sendo o resultado final inevitável. No fim do dia, cada um iria para sua casa, deitaria sua cabeça no travesseiro, acreditaria no que quisesse e pronto.
                Então para que se incomodar? Simples, gafanhoto. Porque na verdade essa discussão é superficial e mascara o que é realmente importante, de nível pessoal, que pode ser trabalhado por qualquer um dos dois lados conflitantes. O verdadeiro questionamento é feito a si mesmo, deitado em sua cama com suas convicções intransigentes. Que tipo de homem eu quero ser? Que tipo de homem eu sou? Eu tenho a coragem e o discernimento para fazer o que julgo certo em detrimento da opinião dos outros quando a oportunidade se mostrar?
                Sei que vou perder um tempo de sono com essa. Mas uma coisa é certa: eu não queria viver com o fardo de ter desenvolvido, construído, ou jogado aquela bomba.
                p.s. A música é MUITO melhor que este texto!

4 comentários:

  1. Um show de percepção, textualidade, humildade, e pederastia...!

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  2. Grato...Eu acho. Valeu o comentário caro leitor cuzeiro.

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  3. Parabéns pelo texto, brother!

    Mas, também nesse caso tem que haver a percepção do que era considerado moralmente correto em sua época, por exemplo, o duplo ataque nuclear na época foi considerado um ataque legítimo, como todos os outros realizados em território japonês, não esqueçamos que não haviam ataques "cirurgicos" a 2 Grande Guerra...

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  4. Obrigado Paulo!

    Lembrei das suas lições sobre a Segunda Guerra quando escrevi esse texto, e confesso que fiquei tentado a colocar alguns fatos históricos aqui também, mas aí o negócio ia ficar muito extenso... Acho que uma coisa que cabia e eu não coloquei, foi a reação de um tripulante do Enola Gay quando viu que Hiroshima tinha desaparecido: "My God! What have we done?"

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