quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eu incômodo

Me interesso particularmente por algumas ideias expressas nos textos da bichona do Caio... Neste último, em particular, algo sobre "vontade pura", ou "animus", ou whatever...

Vou tentar ser o mais breve possível, prometo!

Quando se fala em uma vontade pura, intrínseca, isenta de interesses externos ao indivíduo, alguma coisa me incomoda. Não sei ao certo se é a vontade de acreditar, ou a incapacidade de contemplar isso. E o incômodo não se contenta em incomodar: ele argumenta também.

Ora, primeiramente, o que é um indivíduo? Certo que o Luft tem algo a dizer sobre isso de maneira bem simples... agora, o que é um indivíduo humano? Botou o humano no meio, fudeu! O indivíduo humano é que nem um átomo: é indivisível, mas tem n partes constituintes...
E se é assim, como dizer que há uma vontade pura, imaculada, que só diz respeito ao indivíduo, quando o próprio indivíduo não é uma coisa só?
Caramba, quer dizer que eu não sou eu? É mais ou menos isso, mas não exatamente. Você é você, só que você não é só você. Tá complicando? Este é o ponto!

Vamos deixar o indivíduo de lado, e chamá-lo sujeito. Pois bem - continua argumentando o incômodo -, o sujeito humano só se torna um sujeito humano depois que aprende a falar, andar, raciocinar, e por aí vai. Resumindo, depois de se inserir num contexto social, interagir, internalizar símbolos, conceitos, enfim, se inserir numa cultura.
Desse modo, as únicas manifestações mais próximas de uma vontade pura (o que alguns chamam de desejo), devem ser aquelas que não passam nem perto de se ter consciência, pois esta já foi há muito maculada por essa cultura externa (quiçá criada por ela), e jamais será pura de novo.

Opa, peraí, caceta! Então, de algum modo, eu posso manifestar esta vontade pura, se não for algo consciente?! - Aqui o incômodo alfineta: o problema é o "eu". Esse eu não é só isso ou aquilo, é isso e aquilo. E aquilo outro também.

E assim, quando me canso de discutir com o incômodo, ele me dá o golpe fatal, revelando Eu sou você, cara... Reconheça-se!

3 comentários:

  1. Tava esperando mesmo um psicologuinho pra jogar água no meu chope. Mas é verdade. Nós somos "damaged goods" e boa parte do que fazemos, mesmo que automaticamente, já é por conta de elementos externos que nós mesmos não nos damos conta.
    Mas a gente chega perto!
    Por exemplo. A Juliana queria tomar um sorvete e tomou o sorvete.
    Pô, vai macular o sorvete dela com essa crackudice? sacanagem...
    Foda o texto. Tudo dentro do script!

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  2. Perera... vc usou drogas antes de escrever isso? hahahaha

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