segunda-feira, 10 de outubro de 2011

VOU FAZER E FODA-SE!

Sinto pena de quem vive sempre com prazo para criar. Não quem tem que apresentar relatórios, prestar contas, essas coisas. Isso todo mundo faz! Estou falando de quem tem que de fato CRIAR algo inteiramente novo, do zero. Você, caro leitor, que dispensa minutos preciosos do que deveria ser um dia altamente produtivo para ler minha percepção esdrúxula do mundo, não sabe que escrever estas bem traçadas linhas¹ exige cada fibra do meu ser. Não é porque seja realmente difícil ou desgastante, mas sim porque às vezes não se tem nada de útil para compartilhar. Ou porque não é o momento de compartilhar. Ou porque não se está com vontade de compartilhar (não se sintam assim, eu também amo vocês).
Passei algum tempo com a cara enfiada no papel tentando escrever algo que vinha me incomodando de um tempo pra cá, quando percebi que tinha escrito uma lamúria digna das novelas do SBT, tipo Maria do Bairro, Maria Mercedes, Marimar, essas coisas bisonhas. E vi também, que não estava realmente acrescentando em nada aos amigos, que vem aqui sempre na esperança de ler algo com o mínimo de objetividade.
Eu sei que já está parecendo um melodrama, mas deixa eu molhar o bico. Embora este seja um blog pessoal, e que por várias vezes eu vá colocar minha cara a tapa, não se trata de forma nenhuma de uma sessão de terapia em que eu vá ficar derramando problemas em vocês, porque este é um espaço comum, e o legal é o compartilhamento de experiências e percepções. A idéia é criar soluções ou, pelo menos, incitar o questionamento.
Tá. E daí? Daí, criatura das trevas, que embora esse não seja o lugar pra isso, acredito mais e mais que esse egoísmo é essencial para o nosso funcionamento saudável. Não de ficar alugando os outros com sua respectiva novela mexicana, mas de ter um tempo para si, só para si. Não é pra você e esposas, maridos, filhos, amigos, empresa, instituição de caridade, qualquer coisa. Pra VOCÊ, egoisticamente para VOCÊ e SÓ PARA VOCÊ.
“Que pensamento egocêntrico!”. Sim, mas não de uma forma pejorativa. É questão de se valorizar, se respeitar, de se sentir merecedor de coisas boas. É um procedimento complexo de amar a si próprio, sem culpa. (tire a mão de dentro das calças, não é desse tipo de autoamor que eu estou falando!).²
Viver, todo dia, um pouco para você, e não para os outros. E isso é um ponto crucial e tem que ficar bem claro aqui: observando como outros levam a vida, tem-se a impressão de que a maioria do que se faz é em função própria, estudar, trabalhar, malhar, enfim, coisas individuais em que o único beneficiado é o próprio. Mas existe um elemento subjetivo que é fundamental para se alcançar o tal “fazer para si mesmo” que proponho.
Esse elemento subjetivo é o Animus. É a vontade legítima e pura de querer fazer aquilo porque lhe dá prazer, e isso é extremamente difícil de obter. Por quê? Bem, porque nós já estabelecemos padrões que nos fazem acreditar que algo é certo ou errado, que temos que fazer algumas coisas e nos abster de outras, sentimos necessidade da aprovação de uns ou queremos negar o posicionamento de outros, enfim, existe o IN, e existe o OUT.
O IN seria tudo aquilo que se faz para si, mas que se espera uma resposta positiva de um determinado segmento alvo. Passou no vestibular e orgulhou seus pais, ficou fortinho e agradou sua namorada, fez um doutorado e convenceu a si mesmo que é fodão... O OUT, também é feito em seu prol, mas a idéia é criar uma reação negativa. Encheu a cara e entrou na porrada, usou drogas e esqueceu problemas, pegou alguémpra incomodar outro alguém...
O fazer para si mesmo PURO tem um tom de foda-se. Ele pode ser IN ou OUT, mas o agente não está se preocupando com qual reação aquilo vai causar em outros, ele está fazendo porque quer de verdade.
Mas também não adianta dizer “eu vou fazer e foda-se”, que também não é por aí. Nessa caso você está meramente assumindo os riscos daquela ação.
TÁ BOM. ENTÃO COMO É QUE É?! É o seguinte: feche os olhos... NOT! Peraí, você tem que ler o texto. Faça o seguinte: pergunte a si mesmo e responda rapidamente. O que eu quero agora? Pronto. Você fez. Só que em ato contínuo você começou a pensar nas conseqüências. Aqueles poucos segundos, em que você disse o que queria fazer sem ter pensado no que ocorreria se você de fato fizesse, foi o momento em que você agiu com maior honestidade em sua vida. Você na verdade nem pensou nas consequências, o que é libertador, mas impossível de levar a cabo. A não ser que você seja muito tapado pra não enxergar o que seus atos desmedidos podem acarretar: passar a mão na bunda de mulher acompanhada, dar um soco no seu chefe, dizer o que você acha que a mãe do seu professor faz pra viver e por aí vai³.
PORRA! Quer dizer que você ficou me alugando com uma coisa que não é pra fazer? Ahn...Bem...Como dizer...SIM. Pegadinha do malandro, ié-ié!
Calma. Só queria dizer que há um ideal de vontade pura. O que eu quero que vocês façam de verdade é o “vou fazer e foda-se”. Nesse, meus caros, você assume os riscos do empreendimento, mas faz assim mesmo porque é importante para VOCÊ, SÓ PRA VOCÊ. Esse é o ponto. Embora nós cobremos e sejamos cobrados determinado comportamento todo dia, ainda somos indivíduos com afinidades únicas.
É isso. Se você quer de verdade fazer algo, faça. Só tente se certificar de que não é um crime antes. Boa sorte!

1-Claro que são bem traçadas. Formatação de Word!
2-Sério. Tire as mãos de dentro das calças.
3-Não. Não importa se ela realmente presta tais serviços. Aqui não cabe a exceção da verdade.

4 comentários:

  1. Emiliano Cardoso disse...
    Certifique-se que não é crime antes? Achava que vocês ganhavam dinheiro com pessoas que não se importam com as consequências dos seus atos e fazem o que querem.
    10 DE OUTUBRO DE 2011 18:15
    AngeloBRS disse...
    Eu não li tudo, tenho preguiça de ler e foda-se, não era essa a idéia?
    Se eu consegui parar exatamente no momento que entendi o sentido da sua trama marimariana, acho então que é uma mensagem maneira. Tive pensando em coisa parecida esses dias, mas não vou me demorar no comentário apenas acho maneiro fazer e foda-se.
    10 DE OUTUBRO DE 2011 19:17
    Marcus Vinicius disse...
    Emiliano não vale porra nenhuma, hahahahahahahahahaahahha!!!!
    10 DE OUTUBRO DE 2011 19:45
    Marcus Vinicius disse...
    Concordo contigo. Por mais que a gente queira se libertar as vezes (ui!), 99% das vezes que a gente tenta, ainda assim está preso a algo.

    Acho que enxergar isso já é algo que poucos fazem. E já é um passo à frente. E já ajuda a fazer coisas, preso à outras coisas, mais bem feitas.
    10 DE OUTUBRO DE 2011 19:46

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  2. FRASE EDIFICANTE DO DIA:

    "When faced with two choices, simply toss a coin. It works not because it settles the question for you, but because in that brief moment when the coin is in the air, you suddenly know what you are hoping for."

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  3. Sacanagem Cla. Com um parágrafo você postou um texto melhor que o meu!huahauahauhua. Aliás, sensacional.

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  4. Curti!
    Mas não é nada animador ler esse texto estimulando "fazer o que se quer e foda-se" em pleno feriado em que eu estou com a cara enfiada na monografia sem QUALQUER animus...Bom, acho que vou parar um pouco e tomar um sorvete.

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