segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Quem tem boca fala o que quer. Principalmente Merda.


Olá companheiros de balcão de bar. Venho através dessas maltraçadas linhas hoje discutir uma coisa que me deixou bastante perplexo nos últimos dias/semanas/meses.

Um famigerado livro (repare, amigo leitor, que apesar de todo mundo saber muito bem qual é, não farei aqui uma única menção ao nome desta obra), gerou recentemente um enorme burburinho nas mesas de barzinho (porque vamos combinar, não é livro de quem senta pra beber em boteco pé sujo), internet, e em qualquer lugar onde pelo menos estivessem duas pessoas do sexo feminino na conversa.

Nem a paleta de cores dos PCs tem 50
tons de cor nenhuma.
Depois desse parágrafo, acho que não preciso emitir aqui a minha opinião sobre o livro, pois já deu pra sacar muito bem o que eu penso dele. Mas vamos combinar, qualquer livro que escreva sobre um relacionamento de um bilionário e uma garotinha mais ou menos se não é uma grande merda é no mínimo de uma tremenda falta de criatividade.

Ah, mas grita lá do fundo a leitora mais exaltada (Numa boa, posso usar o feminino aqui. Não consigo acreditar que homem algum leu esse livro de livre e espontânea vontade), “mas o livro tem toda uma descrição de sensualidade e erotismo e bla bla bla.” Bem, pode ser. Esse nicho talvez seja pouco explorado na literatura, mas não consigo deixar de pensar que se esse for o caso, os escritores de contos eróticos na internet devem estar enfiando o dedo no cu e rasgando de ódio de publicar os seus relatos gratuitamente (enquanto a autora tá vendendo pra cacete TRÊS LIVROS).

É o óbvio ululante (aliás, ta aí: pra quem gosta de putaria impressa, Nelson Rodrigues) que já que tenho um preconceito ao livro, vou perder meu tempo aqui detonando a história, os personagens, as situações ridículas, a proposta de filme...

Não. Eu não escrevi isso para falar mal do livro. Existem milhões de reviews na internet pra isso, e eu particularmente gosto da idéia de que é possível ganhar dinheiro com idiotices, tosqueiras e futilidades em geral. Se existia mercado pra isso, parabéns pra autora que aproveitou essa brecha e fica a dica pra quem deu mole e moscou. Eu escrevi, aí sim, pra falar mal dos comentaristas dessa merda.
Uma mulher à frente de seu tempo.
Primeira coisa: num país que nego só abre o jornal pra ler os quadrinhos, quando aparece um livro que é lido pela massa, a galera aproveita pra comentar e se posar de culto (Código da Vinci, alguém se lembra?). Afinal, se você leu um livro, você é da elite intelectual, não uma nem  (Dica: se alguém vier defecar no seu ouvido dessa maneira, pergunte qual foi o livro que a pessoa leu antes desse. Aguarde o silencio sepulcral se formar antes de iniciar as gargalhadas).
Segundo ponto, de repente aparece uma porrada de mulher que de uma hora pra outra virou expert em sexo. Cara, na moral, achei isso muito engraçado. Uma galera aí que faz tanto cu doce que deve passar diabetes como DST, posando de devassa. Quem escuta falando pensa até que a pessoa é figurinha fácil na Ceará. Me lembra até a propaganda da Sandy: simplesmente hilário.

Mas essa síndrome de Galvão Bueno não é inerente às leitoras desse famigerado livro. Não. Assim como toda ação gera uma reação, entram em cena os engraçadinhos da internet. Qual é a desses caras? O cara dá uma de fodão e fala: ah o livro é uma merda. Ok, concordo. Mas o mentecapto entra na discussão, e bota a lenha errada na fogueira. Aí pronto, fica aquele bate boca, gerando um burburinho em torno daquele negócio que só beneficia uma pessoa: a autora, que mantém a hype e principalmente, as vendas.

Sério: as pessoas precisam perder essa mania de querer comentar tudo o que veem e o que vira modinha. Vejam o UFC por exemplo: todo mundo agora virou PhD em porrada, mas sempre foi especialista nos 100 metros rasos e nos 110 com barreiras. Aprendam a falar não sei ou não entendo desse assunto. Juro, não é vergonha nenhuma. Inclusive, se não te perguntarem (o que é mais comum do que as pessoas acreditam), você nem precisa admitir a sua ignorância, e fica melhor pra todo mundo. Pra mim, que não tenho que aturar essas besteiras, e pra quem fala, que não fala a besteira.

No fundo, as pessoas precisam saber que cada um se diverte como quiser, e ninguém tem nada a ver com isso... e você não tem nenhuma obrigação de vir encher o meu saco também.

EMILIANO CARDOSO quer que toda a discussão referente a esse famigerado livro apodreça no círculo do inferno destinado aos posts imbecis e joguinhos de Facebook.

4 comentários:

  1. Quase metalinguístico, falando de si próprio! ;) Particularmente, concordo que se tem uma porrada de inútil para comprar, a mulher faz mto bem vendendo essa merda. O foda é ter a consciência constante e diária da bizonhice da humanidade ao ver essas porras.

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  2. Mas não é? Síndrome de Galvão Bueno, vou adotar essa...
    Gosto das teorias do Ford Prefect tb (Guia do Mochileiro). Apesar de partir de outra premissa, acho q servem pra isso tb!

    http://www.naoentreempanico.com.br/index.php?title=Teorias_da_Fala_In%C3%BAtil

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  3. Emiliano, excelente texto !

    Só sei o seguinte: o famigerado livro foi feito para as mal comidas...só essas criaturas frustradas poderiam achar alguma coisa boa NESTA MERDA deste livro,o qual perdi preciosos 45 minutos da minha vida em leitura diagonal...

    Abração!

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