Antes de começar esse texto, quero deixar bem claro um
ponto: Não tenho nada contra religiões de maneira geral, ok? O caso a seguir
(verídico, como a maioria já teve a oportunidade de testemunhar) apenas me
levou a uma reflexão que eu compartilho aqui com vocês.
Estava eu na casa dos meus pais em mais um Domingo daqueles
bem preguiçosos, quando você come um prato de comida que alimentaria fácil uns
30 mendigos, totalmente estirado no sofá. O interfone toca, e meu pai atende
(eu não tinha condições de movem um músculo).
- Hein? Ah não muito obrigado. Não estamos precisando não tá
ok? Tá, tchau.
Porra, pensei eu, o cara tá vendendo porta a porta num
domingo de sol escaldante aqui no Rio de Janeiro? E tem mais, pra quem não
conhece, a casa dos meus pais fica no alto de uma ladeira pra Potosi nenhuma
colocar defeito.
- Ae pai, vendedorzinho com disposição esse aí hein? –
comentei.
- Porra nenhuma. Tava oferecendo a palavra do senhor Jesus
Cristo (respondendo ironicamente).
Resumo da ópera: eram Mórmons. Como eu disse não vou entrar no mérito religioso, até porque
a fé é de cada um e eu acho que ninguém tem direito de questionar algo tão
individual. Mas PUTAQUEPARIU, sair do seu país, aprender um outro idioma, meter
uma calça e camisa social, andar para caralho no sol escaldante do Rio, batendo
de porta em porta para tentar convencer as pessoas da sua fé... ah vocês vão me
perdoar, mas isso eu posso julgar sim. Somente um completo idiota, que não
parou 5 minutos para raciocinar sobre a MERDA que estava fazendo poderia
cometer uma sandice dessas.
Sério, o que poderia levar alguém a fazer isso?
Em primeiro lugar, me lembrei da célebre frase de um amigo
meu: “O mundo é composto por idiotas”. Essa é uma premissa bastante
interessante e saudável de ser adotada quando se lida com seres humanos. Esse
argumento, por mais estapafúrdio que possa parecer, tem um fator importante:
não estou discriminando ninguém aqui. Homens, mulheres, crianças, idosos, gays
e heteros, negros, brancos e japas. Eu mesmo. Todos nós fazemos escolhas
extremamente irracionais.
Mas o que nos leva a agir como idiotas?
Como todos sabem, eu sou um economista. Meia-boca, mas sou.
E apesar de já ter esquecido 90% do que “aprendi” na faculdade, um tema que é
abordado pela teoria econômica me parece bastante razoável aqui. O
comportamento de manada. Por definição, o comportamento de manada é aquele
momento de incerteza, onde os agentes econômicos não podem tomar decisões
racionais, e acabam seguindo a maioria ou o agente mais influente. Esse cenário
costuma gerar movimentos bruscos no mercado. Isso é facilmente verificável na
vida real... basta ver qualquer onda de boatos atingir o mercado e os efeitos
das bolsas. Não precisa nem ser economista pra notar.
Mas o que isso tem a ver com os mórmons e pessoas idiotas?
Simples. Na minha opinião, o comportamento de manada deixou
de ser um caso particular para se tornar regra.
Na era da informação e da internet, ficou muito fácil difundir idéias e
pensamentos, e com isso a necessidade de pensar foi pros caralhos. Afinal, pra
que pensar, se tem algum idiota postando no Facebook uma frase de efeito bunda
tirada de algum livro imbecil de auto-ajuda atribuída falsamente a algum autor
hipster me dizendo o que fazer?
Pensar dá trabalho. E da mesma forma que compramos suco de
caixinha pra não ter que espremer as laranjas, o mesmo ocorre com o pensamento.
Pegamos o que já está pronto, para não chegarmos a conclusões nós mesmos. Isso,
combinado com a incrível capacidade e velocidade da internet, pavimenta o
cominho para brilhantes movimentos, como os mórmons que vão de casa em casa, o Projeto
Gota D`agua, abaixo assinados no Avaaz (que por mais nobres que possam ser, não
possuem nenhuma validade jurídica),
Guarani-Kaiowas e outras coisas do gênero.
Lanço aqui uma campanha: antes de apoiar qualquer causa,
bradar aos quatro cantos uma posição política e SIM, antes de compartilhar um
texto no Facebook, vamos nos inteirar no assunto, pesquisar um pouco e tirar as
próprias conclusões. Ajuda, enriquece o debate e te tira da massa de manobra. O
tio Google e a tia Wikipedia ainda dão uma força.
EMILIANO CARDOSO tem preguiça para tudo, menos para pensar.

Bom texto !
ResponderExcluirManteve o nível dos outros posts...
A análise é boa...ha um excesso de pessoas idiotas, e a internet alavanca a idiotice, que acaba virando uma praga, multiplicando-se...
Só acho que a deixa para falar não foi legal...
Não que eu ache os mórmons grande coisa...mas a questão de caminhar para espalhar a fé... não acho que seja um ato idiota...
ok, caminhar nesse calor pode parecer estúpido à primeira vista...mas muito da civilização deveu-se a pessoas com fé...
Abraços !!!
Rodrigo, como eu disse... não questiono a fé, e nem vou entrar no mérito que os que espalharam a sua fé por ai tiveram externalidades positivas (colégios de padres, apenas para citar um exemplo). Mas com o calor que tem feito no RJ nos últimos dias, fica difícil defender um cara de roupa social no Domingo.
ResponderExcluirBom texto! Concordo com a ideia central,
ResponderExcluirmas, assim como o Rodrigo opinou, também não vejo idiotice no ato de pregar a fé em pleno domingo de sol (ok, com camisa social é sofrimento inútil. rs). Não me parece óbvio que a escolha dele pela religião e pela forma como iria tentar ajudar aos outros decorreu de massa de manobra.
De resto, acho que além da preguiça de pensar, a necessidade absurda que algumas pessoas têm de aparecer e de mostrar que têm opinião sobre tudo também faz com que muito lixo chegue até a gente, principalmente no facebook.
Bjs!
Muito Bom o texto Emiliano, Adorei! Beijos.
ResponderExcluirTô com os 2 comentários (Juliana e Rodrigo), não acho que espalhar a fé seja um ato de idiotice, o cara está cumprindo o que ele acredita ser a missão dele... mas é fato, as pessoas tem preguiça de pensar, isso é algo fácil, fácil de ser ver no dia-a-dia!!!!
ResponderExcluirConcordo que seja um ato de idiotice. Para uma visão mais a fundo, leia "A Morte da Fé". De fato esses caras acreditam no que eles acreditam. Qualquer tipo de crença (sendo a fé uma delas) aciona o gatilho para uma ação. A questão é que a fé é uma crença isenta de razão (inclusive proibe questionamento). Uma vez que vc gasta o seu tempo praticando algo baseado numa filosofia que segue esse descrição, vc está obviamente cometendo um erro. Acontece que a atitude desse camarada é aparentemente (eu disse aparentemente) inofensiva a priori. Mas sua motivação dele não é em nada diferente daqueles que cometeram certas atrocidades ao decorrer dos séculos. A diferença esta na disposição em fazer qualquer coisa.
ResponderExcluir