domingo, 23 de dezembro de 2012

Caixinha do Acharque


Eu me amarro no Natal. De verdade. Acho uma época do ano diferente, as pessoas me parecem com um espírito mais alegre, as casas iluminadas, as ceias e os milhares de eventos de fim de ano, com os diferentes grupos de amigos. Tudo isso me deixa de alguma forma mais animado nessa época do ano, e nem os shoppings lotados e os gastos extras desse período conseguem quebrar essa magia.

Ah, então nada te tira do sério nessa época? Quem me dera.

Aconteceu comigo recentemente. Estava eu indo calmamente abastecer o meu carro, atividade mais que corriqueira ao longo do ano. Quando ao final do serviço realizado, entrego meu cartão para fazer o pagamento e ouço a maldita frase: “Fica a vontade pra fortalecer a caixinha de Natal da galera aí. Se quiser, pode passar até no cartão.”

Pausa para reflexão nessa frase, que tem 2 pontos que eu acho dignos de nota (e de crítica):

Caixinha de Natal no século XVIII
A Caixinha de Natal: quem já teve a oportunidade de conversar comigo, sabe qual minha opinião sobre essa prática. Acho um acharque ao bolso do cidadão disfarçado de uma “bondade natalina”. A idéia é apelar pro “espírito natalino” citado no primeiro parágrafo e pedir uma pequena contribuição... afinal, é uma pequena contribuição para fazer o Natal de alguém mais feliz, certo? Ok, certo. O problema é a forma como o pedido muitas vezes é feito. A sensação as vezes é similar à abordagem de um flanelinha. Se for o caso de um serviço que precise ser feito em recorrência, a pena por não doar pode ser elevada (e a forma de cobrança ainda mais ostensiva).
Além disso, o funcionário da loja ao lado acha a idéia excelente, e copia. E o padeiro. E o carteiro. E o lixeiro. E o policial... pensando bem, esse pede caixinha o ano todo. Resumo da Ópera: Todo mundo ganha caixinha de Natal, menos uma pessoa: isso mesmo, é VOCÊ, que sustenta essa corja e essa prática. Me chame de escroto, mas me recuso a dar caixinha de natal pra quem quer que seja. Caixinha de Natal todo mundo ganha, é o 13º e fim de papo.

A Forma de Pagamento: esse ponto é a novidade. Vou tentar transcrever a cena que aconteceu comigo de verdade. O diálogo foi mais ou menos assim (com o perdão de algumas coisas que posso ter omitido pela minha falha de memória).

Eu: Completa com gasolina comum por favor.
Atendente: ok.
(enche o tanque)
Atendente: Foi xxxxx reáu. Crédito ou Débito?
Eu: Sempre Crédito.
Atendente: Fica a vontade pra contribuir com a caixinha de Natal da galera ae.
Eu (tentando me safar): Pô, tô sem dinheiro...
Atendente: Tudo bem, a gente aceita cartão.
Eu: Hein?
Atendente: É. Você passa um pouco mais no cartão e a gente tira o dinheiro do caixa.
Eu (ainda incrédulo, levei um tempo pra responder): ... entendi. Mas passa o valor da conta mesmo.

Eu não tava acreditando naquilo. PQP! Cartão de Débito e Crédito pra caixinha de Natal? Eu achei isso beirando o hilário... até porque só pode ser piada. Tal qual algumas Igrejas inescrupulosas que agora cobram dízimo no cartão (e tem assessorias de cobrança pra quem tá atrasado na "mensalidade"), agora a caixinha 2.0 vem com essa novidade. Só falta o malandro virar pra você e disparar: Agora nós facilitamos para que você faça o bem, pois sabemos que você está cheio de vontade de contribuir, mas está sem dinheiro no bolso...

É muita cara de pau. É uma prática famigerada, maldita, inescrupulosa e vil. Com o bônus de ser disfarçada de bondade e amor ao próximo. Eu já não gostava de contribuir, agora mesmo que não dou um centavo. 

Cambada de filho da puta.

EMILIANO CARDOSO não é pão duro, mas não dá um centavo pra esses caras, e acha que ninguém deveria dar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

É por isso que o brazuca é bom de bola.

Prezados amigos!

Venho aqui no blog perturbá-los mais uma vez. O motivo seria outro, pois já tinha um texto engatilhado sobre gente sem noção. Porém, como gente sem noção irrita a gente todos os dias, qualquer dia esse texto sai. Em virtude de algumas coisas que ouvi nos últimos dois ou três dias, decidi trocar o tema.

Como alguns de vocês sabem (ou não), eu tenho o hábito (que não é bem um hábito...) de ouvir rádio. Gosto de ouvir as notícias pela manhã, e gosto de ouvir o programa do Antônio Carlos pela manhã, assim como o "Debates Populares" com o Roberto Canazio.

Como já disse, não é bem um hábito, mas eu gosto de ouvir sempre que posso. Gosto de ouvir as notícias por um viés mais popular. Mais confesso que tem ai uma tara de historiadorzinho: Gosto de ouvir e pensar em como as notícias são pensadas para manipular o povo e criar "opiniões" que se adaptem aos interesses dos cabeças da emissora de rádio (Rádio Bobo, desinformando!).

Não preciso nem dizer aqui que os programas passam valores esdrúxulos, distraem o povão com temas idiotas, e tiram o foco da real discussão com problemas irrelevantes. É só ouvir 5 minutos que vocês vão perceber isso. Porém, estes dias ouvi duas notícias que me chamaram a atenção, e que, nas voz dos "comunicadores" desta emissora, sem dúvida, formadora de opiniões, me assustaram um pouco e aguçaram minha vontade de escrever. E gostaria de compartilhar isso com vocês.

A primeira foi a discussão sobre o julgamento do mensalão, especialmente sobre se seria foro (eu querendo dar uma de juristinha que nem Caio, Drope e Bolets. Me corrijam se eu tiver aplicando este conceito de maneria equivocada) do STF ou da Câmara dos deputados cassar o mandato dos condenados no processo. A segunda foi outra discussão, sobre o fato de o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ter pedido o arquivamento do processo daquele cara de Volta Redonda que deixou a filha de dez meses no carro, o que levou à morte do bebê.

Gostaria de dizer o seguinte: Respeito as atribuições de cada poder, assim como acho que a organização é algo ESTRITAMENTE NECESSÁRIO  a qualquer atividade humana. E vocês sabem que eu sou chato para caralho com isso. Porém, eu acho que, legislativo no primeiro caso, e judiciário no segundo, estão defecando pela boca.

Vamos ao ocorrido: Nas duas discussões (é o que acontece, diariamente, sobre vários temas, no programa do Canazio), a maioria dos debatedores, que, em geral, são pessoas de "renome" na sociedade, achou que o legislativo deveria cassar os deputados, assim como concordou que é um absurdo o MP não oferecer denúncia, evitando que o pai que matou a filha foi a julgamento.

Vamos à minha opinião. Discordo da porra toda. Vou lhes dizer por que. Acho que, nestes casos, tanto a Câmara dos deputados quanto o judiciário estadual, assim como os debatedores do programa de rádio e o seu "Host", querem aparecer mais que todo mundo. Como já disse, respeito as atribuições de cada poder. Mas, no caso dos condenados e presos do mensalão, a cassação já não seria algo automático, dada a gravidade dos crimes e as atribuições do cargo em questão? Amigos juristas, me corrijam, mais uma vez, se for o caso. "Ah, mas o legislativo vai caçar de qualquer jeito!". Esse foi o mesmo argumento usado para defender o julgamento do pai, que, unanimemente, foi considerado culpado pelos debatedores do programa. "Ah, mas ele tem que ir a julgamento, nem que seja pra ser inocentado!".

Vou fazer uma analogia pra ver se vocês entendem o que eu quero dizer, antes de eu dizer, pra facilitar. Você chega em casa, a sua empregada doméstica mudou todos os móveis de sua sala de lugar. Obviamente, você não gostou. Começa a discutir com ela que o sofá deveria ficar em outro lugar, que a sua mesinha de canto ficou feia ali naquela outra parede, que aquele quadro ali está torto. Que quem deveria rearrumar a casa era você, e não ela. Puto, você acaba a discussão e manda ela embora pra casa. Porém, ao entrar na sua cozinha, você percebe o verdadeiro problema: Enquanto a sua empregada ficou o dia todo arrumando sua sala, a cozinha está um caos, e há uma pilha de louça para lavar. Você percebe que, ao invés de ficar discutindo com ela sobre a sala, deveria ter simplesmente dado um esporro  e mandado ela lavar a louça.

Acho que é isso que acontece no Brasil. Os poderes, em geral, não querem trabalhar. Ficam brigando sobre qualquer coisinha mediocre para aparecer, tipo a arrumação dos móveis da sala, quando a cozinha tá um caos e precisar ser arrumada. E essa posição é corroborada por uma mídia corrupta, que existe apenas para legitimar aquele grupo político que a favorece mais. Os formadores de opinião formam gente burra, que é incapaz de ler nas entrelinhas. Nós, professores (desculpem puxar a brasa, gente), ficamos sme ter muito o que fazer, pois onde a galera olha, seja internet, TV, rádio, tem alguém enfiando esse tipo de besteira na cabeça deles, desviando o olhar das coisas mais importantes.

Levar a julgamento um cara que todo mundo sabe que será absolvido? Só para "não ofender o orgulho do poder judiciário"?? Acho que o poder judiciário, corrupto, deveria se preocupar mais em fazer o seu trabalho. Esse pai é um idiota, e não um bandido, e o dever do judiciário é o de julgar bandidos. E a culpa que ele levará na cabeça o resto da vida já é, sim, uma pena bem grande. Muito maior do que poderia ser atribuida se ele fosse condenado.

Levar a plenário a cassação de deputados que já estão condenados pelo STF e devidamente enjaulados? Para que? Para adiar, mais uma vez, a votação daqueles projetos de lei eternos, aqueles que vão REALMENTE favorecer a população em alguma coisa? Acho que o legislativo brasileiro deveria pensar mais em legislar para o povo, em ser sério, em trabalhar, em abrir mão dos seus milhões de privilégios, do que em "ter suas atribuições desvirtuadas pelo Supremo".

Então gente, sinto que é um ponto polêmico e já falei demais. Vou parar por aqui. Mas espero que vocês tenham pego minha mensagem: Temos que nos preocupar com o que realmente importa, não com aquela velha disputa sobre quem é o dono da bola. Especialmente no país do futebol.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Quem tem boca fala o que quer. Principalmente Merda.


Olá companheiros de balcão de bar. Venho através dessas maltraçadas linhas hoje discutir uma coisa que me deixou bastante perplexo nos últimos dias/semanas/meses.

Um famigerado livro (repare, amigo leitor, que apesar de todo mundo saber muito bem qual é, não farei aqui uma única menção ao nome desta obra), gerou recentemente um enorme burburinho nas mesas de barzinho (porque vamos combinar, não é livro de quem senta pra beber em boteco pé sujo), internet, e em qualquer lugar onde pelo menos estivessem duas pessoas do sexo feminino na conversa.

Nem a paleta de cores dos PCs tem 50
tons de cor nenhuma.
Depois desse parágrafo, acho que não preciso emitir aqui a minha opinião sobre o livro, pois já deu pra sacar muito bem o que eu penso dele. Mas vamos combinar, qualquer livro que escreva sobre um relacionamento de um bilionário e uma garotinha mais ou menos se não é uma grande merda é no mínimo de uma tremenda falta de criatividade.

Ah, mas grita lá do fundo a leitora mais exaltada (Numa boa, posso usar o feminino aqui. Não consigo acreditar que homem algum leu esse livro de livre e espontânea vontade), “mas o livro tem toda uma descrição de sensualidade e erotismo e bla bla bla.” Bem, pode ser. Esse nicho talvez seja pouco explorado na literatura, mas não consigo deixar de pensar que se esse for o caso, os escritores de contos eróticos na internet devem estar enfiando o dedo no cu e rasgando de ódio de publicar os seus relatos gratuitamente (enquanto a autora tá vendendo pra cacete TRÊS LIVROS).

É o óbvio ululante (aliás, ta aí: pra quem gosta de putaria impressa, Nelson Rodrigues) que já que tenho um preconceito ao livro, vou perder meu tempo aqui detonando a história, os personagens, as situações ridículas, a proposta de filme...

Não. Eu não escrevi isso para falar mal do livro. Existem milhões de reviews na internet pra isso, e eu particularmente gosto da idéia de que é possível ganhar dinheiro com idiotices, tosqueiras e futilidades em geral. Se existia mercado pra isso, parabéns pra autora que aproveitou essa brecha e fica a dica pra quem deu mole e moscou. Eu escrevi, aí sim, pra falar mal dos comentaristas dessa merda.
Uma mulher à frente de seu tempo.
Primeira coisa: num país que nego só abre o jornal pra ler os quadrinhos, quando aparece um livro que é lido pela massa, a galera aproveita pra comentar e se posar de culto (Código da Vinci, alguém se lembra?). Afinal, se você leu um livro, você é da elite intelectual, não uma nem  (Dica: se alguém vier defecar no seu ouvido dessa maneira, pergunte qual foi o livro que a pessoa leu antes desse. Aguarde o silencio sepulcral se formar antes de iniciar as gargalhadas).
Segundo ponto, de repente aparece uma porrada de mulher que de uma hora pra outra virou expert em sexo. Cara, na moral, achei isso muito engraçado. Uma galera aí que faz tanto cu doce que deve passar diabetes como DST, posando de devassa. Quem escuta falando pensa até que a pessoa é figurinha fácil na Ceará. Me lembra até a propaganda da Sandy: simplesmente hilário.

Mas essa síndrome de Galvão Bueno não é inerente às leitoras desse famigerado livro. Não. Assim como toda ação gera uma reação, entram em cena os engraçadinhos da internet. Qual é a desses caras? O cara dá uma de fodão e fala: ah o livro é uma merda. Ok, concordo. Mas o mentecapto entra na discussão, e bota a lenha errada na fogueira. Aí pronto, fica aquele bate boca, gerando um burburinho em torno daquele negócio que só beneficia uma pessoa: a autora, que mantém a hype e principalmente, as vendas.

Sério: as pessoas precisam perder essa mania de querer comentar tudo o que veem e o que vira modinha. Vejam o UFC por exemplo: todo mundo agora virou PhD em porrada, mas sempre foi especialista nos 100 metros rasos e nos 110 com barreiras. Aprendam a falar não sei ou não entendo desse assunto. Juro, não é vergonha nenhuma. Inclusive, se não te perguntarem (o que é mais comum do que as pessoas acreditam), você nem precisa admitir a sua ignorância, e fica melhor pra todo mundo. Pra mim, que não tenho que aturar essas besteiras, e pra quem fala, que não fala a besteira.

No fundo, as pessoas precisam saber que cada um se diverte como quiser, e ninguém tem nada a ver com isso... e você não tem nenhuma obrigação de vir encher o meu saco também.

EMILIANO CARDOSO quer que toda a discussão referente a esse famigerado livro apodreça no círculo do inferno destinado aos posts imbecis e joguinhos de Facebook.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

MORRE FUNK!


Funk é uma merda.

Não sei nem porquê vou estender este texto quando a frase de início condensa uma idéia completa e perfeita. Talvez seja um desabafo.

A geração de 80 e 90, compreendendo hoje os adolescentes e jovens adultos, é muito liberal. Somos, é claro, uns mais que outros, mas o ponto é que compomos um grupo que tem a tolerância como ponto chave das relações, e mesmo que ainda haja preconceitos raciais, sexuais e étnicos dentro do grupo em comento, é consideravelmente menor do que das gerações anteriores. E, mesmo que você seja dessa faixa etária, mas entenda que não pertence a esse grupo liberal, pode ter certeza que sua idéia será pelo menos parcialmente vexada, pois mesmo que exista discordância, a tolerância é de lei.

Tá. Mas o que tem que ser falado é que tolerância é pra coisa que preste. Defender direitos de um grupo, legal. Defender música escrotalmente chata, não.

Alguém vai vir e dizer, mas gosto musical é opinião, que deve ser respeitada –cada um houve o que quer!. E eu vou dizer: PORRA NENHUMA!

Primeiro que não vou compactuar com essa parada de ficar colocando músicas de “joga o bumbum pro alto” em festa de dia das crianças. Cara, sem moralismo barato, mas uma coisa é ensinar educação sexual à criançada e outra é colocá-la pra ficar balançando a bunda. Essas crianças já vão fazer sexo antes do que seus pais esperam, não precisa vir um filho da puta ensinar movimentos espetaculosos de ator/atriz de fime pornô.

E segundo, e mais importante, para que cada um ouça o que quer, não se pode impor o seu gosto musical ao outro, ou seja, quem tem que ouvir é você, e não o seu vizinho. Esse é o segredo do funk: o último volume, incomodar quem não quer ouvir aquela parada. Essa música que não embala nem o nenê do capeta, só é tocada aos berros. O carro do funkeiro só anda com as janelas abertas e o som no máximo, e aparentemente o tipo musical não toca em fones de ouvido.

Aliás, tá aí uma boa pergunta. Será que tem alguém que chega em casa e fala –puxa, vou ouvir aquela música do“se ficar de caôzada a porrada come” baixinho no meu quarto. Ela sempre me emociona, e aquela mulher tem uma voz tão linda...” Ora... Vá dar meio quilo de cu. Se existir, essa pessoa tem que ser internada! O funk foi desenvolvido especificamente para amolar terceiros, por isso a incapacidade de seus ouvintes de sofrer sozinhos.

Cara, diferente do que alguns professam, funk não é movimento cultural, não é expressão de nada e não transmite idéia alguma além de três já pré-estabelecidas: Alguém vai comer alguém, alguém vai apanhar e o X-9 vai pegar fogo. Até quando o autor genial tenta fazer uma letra fora da sua alçada de conhecimento fica uma coisa idiota do tipo “glamurosa, rainha do funk. Poderosa, olhar de diamante”. Digno de pena.

O funk, esse lixo, em muitas coisas se compara ao rap norte americano. Não estou nem de longe defendendo o rap, que é outra porcaria, só que esta está mais longe e é , portanto, menos pior.

A diferença é que o rap pelo menos é bancado por uma megaindústria internacional que produz a bagaça. Isso não é uma coisa boa, difundir aquela merda. Mas pelo menos, tem sempre uns músicos de verdade por detrás daqueles palhaços cheios de diamantes na boca pra fazer uma batida nova, um arranjo diferente... Aqui não, a gente ouve o mesmo “tchugu-tchugu-djá”desde a época do endereço do baile.

Aliás, bem lembrado, esse saudosismo do funk antigo só se justifica porquê tati-quebra-barraco, MC Créu e Valesca popozuda são indefensáveis. Mas“ô quebra corrente, é vacilação”, “rap do silva”, e “eu só quero é ser feliz” também sofriam do mesmo problema da musicalidade e são chatos pra cacete.

Pra situar, se você vai numa festa, chopada, aniversário, ou qualquer evento que o valha e você tá bebaço e dá uma zoada, ou você é mulher e gosta de dançar, não é pra se sentir ofendido com esse texto. Agora, se você chega em casa e liga sua playlist cheia de funk, você precisa de ajuda. Profissional, especificamente. Se você acha que não precisa de ajuda, pois bem, saiba que você gosta de merda. E quem gosta de merda é um coprófago, google it!

Por fim, toda vez que lançam um funk eu crio uma esperança nova de que o fundo do poço foi alcançado, e que daquele ponto só se poderia melhorar. Estou sinceramente cansado de ser surpreendido com a inventividade dessas criaturas de piorar semelhante bizonhice. Acho que vou depositar minha fé na mega sena que eu tenho mais chance de retorno.

Vai tomar no cu funk.

Sinceramente,

Caio Augusto.

 

*Já ouvi de alguns músicos (sim, plural) que funk, tecnicamente falando, nem música é. Parece que falta algum elemento. Mas não quero e nem posso entrar nessas erudições. Deve ser uma regra bem basal, tipo: a música não pode ser igual ao produto final do sistema digestório.

 

 

 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nota rápida: Os porradeiros são os novos posers.

O assunto não veio de uma mesa de bar, mas sim do show do Flogging Molly, show esse que poderia ter sido muito mais tranquilo se não fosse essa nova leva de posers que está enfeiando o rock' n roll brasileiro. Vejam os senhores que nós redatores deste blog estávamos curtindo o show anteriormente mencionado quando em uma roda eu vejo um gordinho nada a ver dando uma gravata e tentando derrubar um dos amigos que não estava fazendo nada. Nesse momento separei-os e o indivíduo ainda tentou pensar em arrumar um tumulto comigo. Apesar de não querer confusão, tive que defender meu amigo. Nada aconteceu, mas me ausentei das rodas posteriores, pois não gosto de briga e roda de rock não é pra isso. Tanto que no show do System of a Down no Rock in Rio 2011 tiveram várias rodas e nada aconteceu, inclusive tinha um cara gigante, que serviu no Haiti e que estava empolgado contando como ouvia as músicas quando não estava em serviço. Agora eu pergunto, o que leva um moleque criado a leite com pêra achar que é brabo quando um cara realmente brabo fica na paz? É um POSER, acha que por ouvir Matanza é porradeiro. É amigos, esse tipo de show hardcore agora só vale a pena em lugares seletos com roqueiros de verdade como em Duque de Caxias, por exemplo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O grilo, a formiga, o ENEM e a juventude brasileira.

And so it came to pass that the countess.... ah não é sobre isso que eu ia falar não, sequelei...

E aqui está meu primeiro post nesse magnânimo blog de discussões inteligentes e virtuosas disfarçadas de conversa de bar, só que no meu post eu não vou usar aquelas figuras de linguagem de mesa de bar. Pois é, não fiquem chateados, o que acontece é que eu estou focado na fábula do grilo e da formiga. Já posso ouvir os idealizadores do blog falando "caraca lá vem aquele gordo grisalho sequelando", não se exaltem meus caros, eu pensei muito nesse assunto e essa comparação toda me veio em mente e coube como uma luva no contexto do caso da molecada que perdeu o ENEM nesse final de semana do feriadão de finados, que eu sublinhei, pois me deixou perplexo e até arrisco dizer abilolado.

Acredito que todos já leram sobre a quantidade de gente atrasada para o ENEM não é? É impressionante, não pelos atrasos em si, todo concurso tem isso, nem pelo fato de adolescente ser despreocupado já que é nessa idade que todo mundo erra e acaba aprendendo com os erros, o que impressiona são as circunstâncias da coisa. Primeiro ponto: feriadão, a prova foi realizada em um final de semana de feriadão. Quem ficou no Rio pode ver os monstruosos engarrafamentos migratórios de quinta-feira e o deserto que ficou a cidade. Não estou exagerando com o termo "deserto" realmente estava tudo vazio, inclusive para não falar que eu não estou falando nada sobre mesa de bar, se você queria tomar uma cerveja sossegado nos bares da praça Varnhagen na Tijuca era fácil, tão fácil quando chegar na hora da prova do ENEM. Então meus caros féculas, qualquer um com boa vontado o suficiente chegava nessa prova na hora, sem desculpa nenhuma de engarrafamento. Segundo ponto também relacionado ao horário: prova 13h. Preciso falar que nem necessidade de acordar cedo tinha?

Por último e não menos importante fica uma pergunta: em quanto tempo se esgotaram os 80.000 ingressos do Rock in Rio 2013? Menos de uma hora. Pois é, aposto uma bala juquinha que tem gente que perdeu o ENEM, mas certamente não perdeu seu lugar no evento, cujo line up ainda nem foi divulgado. Volto a falar que não tem como cobrar seriedade de adolescente, eu não sou maluco, apenas aparento. A coisa toda está no link com o grilo e a formiga, fábula que todo mundo já ouviu quando pequeno e que tem uma lição que tira onda e resolve esse tipo de inversão de valores. É legal garantir seu lugar num evento musical? Sim, claro que é, mas isso tem que ser feito com consciência. Você não vai perder um vestibular pra isso, não vai deixar de pagar contas pra isso, ou pelo menos se se esforçou pra estar lá entre os primeiros tarados que compraram o ingresso, use esse esforço para sair de casa mais cedo para ir a um momento tão importante da sua vida. Pior do que esses moleques são os pais, se seu filho não entendeu que ele tem que sair de casa cedo, encha o saco dele. Se um pai não cobra que o moleque saia de casa na hora e deixa ele correr o risco de perder uma prova importante dessas, o que mais ele está deixando passar? Claro que muitos dos inscritos vêm de famílias desajustadas até sem pais presente, mas muitas vezes esses são os que mais se esforçam.

É... esses são momentos que a gente pensa que essa garotada hoje em dia não quer nada com a hora do Brasil. Eu particularmente, além de ficar pensando que esses atrasados são bem idiotas, ainda acredito nos que chegaram na hora e se esforçaram para começar a garantir seu espaço ao sol. Também acho bem legal o fato de cada vez mais o "jeitinho brasileiro" de tolerar qualquer atraso estar se enfraquecendo, e pr sua vez, fazendo um exame minimamente sério, não só para dar chance para quem se erforça, mas também para avaliar o ensino médio do país, vai que esses dados são usados para melhorar nosso ensino não é?

Fim de papo. Falei demais.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Primavera Carioca


Acabou senhores. Acabou. E o resultado está aí: após a “festa da democracia” todo mundo já sabe quem são os seus prefeitos e vereadores para os próximos 4 anos... para o bem ou para o mal.

Ah, tá de sacanagem, deve estar pensando você, inadvertido leitor, MAIS UM TEXTO de política? Ainda mais nesse blog, conhecido (conhecido??? Ok, peguei pesado.) por ter um approach a temas mais cotidianos? Bem... ok, estou falando de política, mas é só pra dar um contexto no meu ponto. Um pouco de paciência que já molho o bico.

Freixo na Cinelândia
Não acompanhei de perto as eleições das demais cidades (vi pouca coisa do segundo turno em SP), mas acompanhei bem de perto a eleição no RJ. E aqui, na minha cidade, vi um movimento muito interessante em torno de um candidato (ok, foi do Marcelo Freixo mesmo)... e esse nesse ponto que eu queria chegar.
Não meu caro amigo eleitor do Freixo. Não estou aqui para chamá-lo de “freixete” ou coisa do gênero. Estou aqui para fazer algumas críticas, CONSTRUTIVAS, ao movimento que dominou o Facebook em Agosto e Setembro. (Aliás, esperei para escrever esse texto para não ser bombardeado pelo Efeito Gralha logo após a derrota nas urnas. Efeito Gralha? Aguarde meu próximo texto).

Em primeiro lugar. O movimento foi elitizado. (espaço para xingamentos e mimimi aqui). Sim senhores, e a votação do Freixo não me deixa mentir. AH, grita o eleitor do Freixo mais exaltado, mas o Eduardo Paes ganhou em áreas dominadas pela milícia!!!!! Verdade, mas onde ele mais ganhou votos? Eu lhes digo... foi na área de Manguinhos (aqui), que apesar de ainda dominada pelo tráfico, teve um novo conjunto habitacional (aqui), e algumas obras meia boca... bingo. Todo mundo votou nele. Eleitoreiro? Sem dúvidas. Mas sinceramente não consigo criticar um prefeito por fazer um planejamento de habitação para áreas carentes (com relação a como essas casas foram distribuídas aí sim, posso ter –e tenho- algumas ressalvas).

Ainda no elitismo... onde o sr. Freixo teve mais votos? Zona Sul. Aí rapidamente vem a tona aquele argumento maravilhoso: “ah, na Zona Sul as pessoas são mais esclarecidas, por isso o Freixo teve mais votos lá”. Bom, dica para as próximas eleições: evite chamar o eleitor de burro. Dificilmente ele votará em você (ou no seu candidato) assim. E não, as pessoas da Zona Sul não são necessariamente mais esclarecidas politicamente. Em realidade, as pessoas respondem a estímulos, e em política não é diferente. As obras que moradores da Zona Sul chama de “eleitoreiras”, as vezes é tudo que um morador do subúrbio queria na rua dele... e ele vota em alguém que fez algo por ele. Antes que façam algum tipo de comentário contrário, gostaria de lembrar a todos que o César Maia foi prefeito do Rio TRÊS VEZES. Usando exatamente essa prática, e com votações expressivas dos “esclarecidos politicamente”.

Não basta criar, tem que se aproveitar.
Acho que faltou ao movimento pró Freixo um pouco de humildade. Entender que a cidade é muito vasta e diversa. E que PRINCIPALMENTE, eles representavam uma parcela da sociedade, e não o todo. Exemplo: aumento da passagem de ônibus atinge a CLASSE MÉDIA (que votou no Freixo). O pobre anda com Vale Transporte e o filho dele estuda em colégio publico e não paga passagem. E mesmo quando ele paga, ele agora pega o Bilhete Único (devidamente capitalizado politicamente pelo nosso amigo Dudu Paes) e paga uma passagem só (ele mora longe do trabalho, lembrem-se disso). Isso não faz parte da nossa realidade.

Ainda assim, vi diversas vezes no Facebook (e presencialmente também), de diversos grupos de amigos diferentes, “todo mundo que eu conheço vai votar no Freixo, impossível o Paes ter mais de 50% dos votos”. Exatamente esse tipo de pensamento mostra não conhecer a população carioca. Exatamente esse tipo de pensamento que faz surgir o seguinte tipo de comentário:

- Puta que Pariu, esses Freixetes são chatos para caralho!!!!

EMILIANO CARDOSO votou no Marcelo Freixo, mas não é Freixete

terça-feira, 13 de março de 2012

O Foda-se

Amigos de mesa de bar podem puxar uma cadeira, pedir mais um copo e mais uma cerveja, que o assunto de hoje pede. Ao ler o título, muitos certamente já se identificaram com a filosofia incorporada na palavra, mas acredito que pouco ainda se deram conta da importância dele na nossa vida, tal qual a concebemos hoje.

Pois bem. Estava conversando recentemente com um amigo que estava, para usar uma terminologia contemporânea nesses tempos de Facebook, em “um relacionamento enrolado”. Conversa vai, conversa vem, copos esvaziam, copos se enchem novamente. E a velha solução mágica para esses casos aparece:

- Ah mermão, que se foda essa porra.

O climão instaurado no ar rapidamente se dissipa. E o papo começa a fluir para temas menos polêmicos, como futebol, religião e política.

Pagamos a conta do bar (sim, esse negócio de pendura é coisa de advogado) e cada um vai pro seu canto. E como me é comum quando estou na metade do caminho entre a sobriedade e a embriaguez, a mente começa a trabalhar sem as restrições impostas pela racionalidade cartesiana, e coisas que anteriormente pareciam sem sentido, num passe de mágica passam a parecer perfeitamente naturais.

Fiquei então pensando na condição do pobre homem. Até onde eu sei, um cara inteligente e trabalhador, mas que não conseguia mais se concentrar direito no seu ofício. Tudo por conta de uma mulher.

Aproveito para fazer aqui um pequeno comentário antes de continuar o caso quase-verídico. O gênero aqui é irrelevante. Se alguém estiver incomodado, troque os gêneros dos personagens da história e sinta-se feliz (ou de somente um dos personagens, se assim quiser... Ao gosto do freguês).

E então me lembrei de N outros casos que eu vi de perto. E não somente relacionados a relacionamentos. Na verdade já observei série de problemas de menor importância serem transformados em obstáculos intransponíveis muitas vezes... como aquele zagueiro filho da puta do seu time que acaba com a sua noite de sono e faz com que você além de ter que aturar torcedores rivais inconvenientes, passe o dia seguinte inteiro com sono.

Pensei em toda a ineficiência que esses probleminhas geram, toda a capacidade produtiva e/ou criativa parada porque tem alguém com dor de corno ou tá puto com o Aldair. E ao contrário, como um simples foda-se faz a humanidade toda andar pra frente.

- E se não houvesse o foda-se no mundo? – eu pensei.

O mero pensamento me fez correr um calafrio. Imaginei uma humanidade emonizada pelos cantos, reclamando da vida e ouvindo Panic at the Disco.

Não, isso era a visão do inferno. A realidade não poderia ser tão cruel. Então tentei me focar em cenários menos horripilantes... pensei em eventos chave da nossa história. Se, por exemplo, o homem que inventou o fogo estivesse ainda bolado porque tomou um pé na bunda uns dias antes. Se Edison estivesse preocupado em não atrasar a conta de luz que estava em débito automático e deu merda. Se o Graham Bell estivesse revoltado com a companhia telefônica porque o telefone não dava linha pra ele ligar pra sua tia e desejar um feliz aniversário.

Cheguei à conclusão que a humanidade, tal como a conhecemos hoje, só existe por causa do foda-se. O Foda-se é a sabedoria máxima concentrada em 6 letras e um tracinho. É a capacidade de se separar as coisas que realmente importam e as deixar as demais em segundo plano. É, fundamentalmente, o que nos permite andar para frente, e não nos prender ao passado e aos detalhes.

O Foda-se é, parafraseando a terminologia da física de partículas, a expressão de Deus, que permite a todos os seres humanos fazer aquilo que querem de fato e que tem a capacidade de fazer, sem ter que se preocupar com merda.

EMILIANO CARDOSO não é filósofo e quer que a porra toda se foda.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Vovó com bíblia investe em chinês.

                É melhor ouvir certas coisas do que ser surdo. Bem, pelo menos era isso que acreditava aquele pobre protestante naquele início de noite, daquela fatídica segunda feira de verão.
                Este que vos narra, teria ido visitar seu tio, em um bairro da zona sul da bela Rio de Janeiro. Como tinha marcado com meu primo de chegarmos juntos, e estivesse um pouco adiantado, resolvi esperar por ele em um dos bancos que guarnecem a praça onde se situa a estação do metrô.
                Fiquei observando um bicicletário que haviam instalado, onde aparentemente se aluga uma bicicleta cor de laranja. Me perguntava como aquela budega funciona quando duas simpáticas velhinhas se sentaram ao meu lado. Como nada disseram, também me calei. Tornei minha atenção para o bendito bicicletário, tomando algum conforto em perceber que não era o único sem a menor ideia de como se operava aquele treco, o que inferi pela cara de bobo que as outras pessoas faziam quando liam as instruções da geringonça. (Não, eu não me levantei para ler as instruções. Sim. A preguiça era maior que a curiosidade.)
                Foi aí que aconteceu. Um homem de meia idade, vestido com um terno uns dois números maior que o seu corpo, portando uma bíblia surrada debaixo do braço e alguns folhetos do que seria um “flyer” da sua fé, aborda as doces vovós que conversavam baixinho entre si. O homem estava provavelmente iludido pela mesma impressão que eu tivera momentos antes: que se tratava de senhoras amáveis com toda a paciência do mundo para ouvir sua ladainha.
                Caros amigos, nota mental: as aparências enganam.
                O homem não parecia ser um profundo conhecedor da sua crença, mas apenas um fiel, que teria encontrado conforto naquelas palavras e as repetia de forma fervorosa, como se fossem respostas genéricas para todos os problemas (uma espécie de “tchuim-tchuim-tchum-claim” de Deus). Aproximou-se das senhoras e desferiu:
                - JESUS CRISTO É O CAMINHO, A VERDADE, E A VIDA!
                Corri meus olhos para a entrada do metrô, esperançoso de que meu primo tivesse chegado, certo que seria a próxima vítima da pregação. Eu não estava preparado espiritualmente para o que se seguiria.
                As velhinhas eram verdadeiros leões em pele de cordeiro. Tratava-se de testemunhas de Jeová à paisana. Elas se identificaram como estudiosas da bíblia e mandaram na lata do seu interpelante que ele estava falando merda.
                - O SENHOR NÃO SABE O QUE ESTÁ FALANDO! JESUS ERA UM MERO HOMEM. QUEM TEM PODER E EM QUEM SE DEVE TER FÉ É EM SEU PAI!       
                O homem sentiu o baque, mas como todo crente recrutador que se preze, ele sabia receber uma patada, e respondeu de pronto:
                -E Jesus disse: E NINGUÉM VAI AO PAI, SENÃO POR MIM!
                Caros leitores, juro que queria fazer um relato melhor. Mas o que se deu a partir daí foi uma verdadeira repente nordestina de salmos, e eu logo me perdi. O homem desferia um e as velhinhas retrucavam com outros três ou quatro. O homem foi perdendo o seu ritmo enquanto o das vovós ensandecidas aumentava rapidamente, sendo que em certo ponto elas já estavam terminando o salmo que o pobre infeliz tentava recitar, e o utilizavam contra ele!
                A uma hora dessas eu já estava até gostando. Já tinha me acomodado no banquinho e saboreava uma pipoca enquanto assistia de camarote o massacre do desafortunado cristão. O homem parecia um filhote de urso que ia abocanhar o favo de mel e enfiou o pé na armadilha.
                Rechaçado pela fúria da terceira idade, o homem começou a murmurar coisas tipo “eu não vou conseguir convencer as senhoras, vocês tem que aceitar Jesus na vida de vocês” e foi saindo de fininho.
                Ainda estava tonto com o que tinha acontecido quando percebi que agora era eu que estava sozinho na jaula dos leões beneficiários do INSS. Era tarde demais. Eu deveria ter aproveitado a oportunidade para fugir ao invés de ficar me divertindo com a desgraça dos outros, agora eu pagaria com os meus ouvidos.
                Preparei-me para o impacto, mas foi tranquilo. Provavelmente elas já tinham gastado a munição pesada no pseudo-pastor. Mantive a calma, falei que já tinha ouvido falar delas (as testemunhas de jeová), recebi o panfleto das senhoras e ouvi um pouco do que elas entendiam pelo estudo da bíblia. Rápido mesmo. Mas antes que elas me deixassem, ainda largaram a última pedrada.
                As testemunhas de Jeová estão aprendendo a falar chinês para ter acesso à sua crescente população aqui no Rio de Janeiro. O que quer dizer que da próxima vez que você for comer um joelho e beber um suco de caju¹, é possível que te perguntem se você gostaria de participar de um grupo de estudiosos da bíblia.
                Fale o que quiser, mas eles não discriminam ninguém na hora de chatear.

1-zoeio i cazú. Prato típico das pastelarias chinesas.