Funk é uma merda.
Não sei nem porquê vou estender este texto quando a
frase de início condensa uma idéia completa e perfeita. Talvez seja um
desabafo.
A geração de 80 e 90, compreendendo hoje os
adolescentes e jovens adultos, é muito liberal. Somos, é claro, uns mais que
outros, mas o ponto é que compomos um grupo que tem a tolerância como ponto
chave das relações, e mesmo que ainda haja preconceitos raciais, sexuais e
étnicos dentro do grupo em comento, é consideravelmente menor do que das
gerações anteriores. E, mesmo que você seja dessa faixa etária, mas entenda que
não pertence a esse grupo liberal, pode ter certeza que sua idéia será pelo
menos parcialmente vexada, pois mesmo que exista discordância, a tolerância é
de lei.
Tá. Mas o que tem que ser falado é que tolerância é
pra coisa que preste. Defender direitos de um grupo, legal. Defender música
escrotalmente chata, não.
Alguém vai vir e dizer, mas gosto musical é
opinião, que deve ser respeitada –cada um houve o que quer!. E eu vou dizer: PORRA NENHUMA!
Primeiro que não vou compactuar com essa parada de
ficar colocando músicas de “joga o bumbum pro alto” em festa de dia das
crianças. Cara, sem moralismo barato, mas uma coisa é ensinar educação sexual à
criançada e outra é colocá-la pra ficar balançando a bunda. Essas crianças já
vão fazer sexo antes do que seus pais esperam, não precisa vir um filho da puta
ensinar movimentos espetaculosos de ator/atriz de fime pornô.
E segundo, e mais importante, para que cada um ouça
o que quer, não se pode impor o seu gosto musical ao outro, ou seja, quem tem
que ouvir é você, e não o seu vizinho. Esse é o segredo do funk: o último
volume, incomodar quem não quer ouvir aquela parada. Essa música que não embala
nem o nenê do capeta, só é tocada aos berros. O carro do funkeiro só anda com
as janelas abertas e o som no máximo, e aparentemente o tipo musical não toca
em fones de ouvido.
Aliás, tá aí uma boa pergunta. Será que tem alguém
que chega em casa e fala –puxa, vou ouvir aquela música do“se ficar de caôzada
a porrada come” baixinho no meu quarto. Ela sempre me emociona, e aquela mulher
tem uma voz tão linda...” Ora... Vá dar meio quilo de cu. Se existir, essa
pessoa tem que ser internada! O funk foi desenvolvido especificamente para
amolar terceiros, por isso a incapacidade de seus ouvintes de sofrer sozinhos.
Cara, diferente do que alguns professam, funk não é
movimento cultural, não é expressão de nada e não transmite idéia alguma além
de três já pré-estabelecidas: Alguém vai comer alguém, alguém vai apanhar e o
X-9 vai pegar fogo. Até quando o autor genial tenta fazer uma letra fora da sua
alçada de conhecimento fica uma coisa idiota do tipo “glamurosa, rainha do
funk. Poderosa, olhar de diamante”. Digno de pena.
O funk, esse lixo, em muitas coisas se compara ao
rap norte americano. Não estou nem de longe defendendo o rap, que é outra
porcaria, só que esta está mais longe e é , portanto, menos pior.
A diferença é que o rap pelo menos é bancado por
uma megaindústria internacional que produz a bagaça. Isso não é uma coisa boa,
difundir aquela merda. Mas pelo menos, tem sempre uns músicos de verdade por
detrás daqueles palhaços cheios de diamantes na boca pra fazer uma batida nova,
um arranjo diferente... Aqui não, a gente ouve o mesmo “tchugu-tchugu-djá”desde
a época do endereço do baile.
Aliás, bem lembrado, esse saudosismo do funk antigo
só se justifica porquê tati-quebra-barraco, MC Créu e Valesca popozuda são
indefensáveis. Mas“ô quebra corrente, é vacilação”, “rap do silva”, e “eu só
quero é ser feliz” também sofriam do mesmo problema da musicalidade e são
chatos pra cacete.
Pra situar, se você vai numa festa, chopada,
aniversário, ou qualquer evento que o valha e você tá bebaço e dá uma zoada, ou
você é mulher e gosta de dançar, não é pra se sentir ofendido com esse texto.
Agora, se você chega em casa e liga sua playlist cheia de funk, você precisa de
ajuda. Profissional, especificamente. Se você acha que não precisa de ajuda,
pois bem, saiba que você gosta de merda. E quem gosta de merda é um coprófago,
google it!
Por fim, toda vez que lançam um funk eu crio uma
esperança nova de que o fundo do poço foi alcançado, e que daquele ponto só se
poderia melhorar. Estou sinceramente cansado de ser surpreendido com a
inventividade dessas criaturas de piorar semelhante bizonhice. Acho que vou
depositar minha fé na mega sena que eu tenho mais chance de retorno.
Vai tomar no cu funk.
Sinceramente,
Caio Augusto.
*Já ouvi de alguns músicos (sim, plural) que funk, tecnicamente falando,
nem música é. Parece que falta algum elemento. Mas não quero e nem posso entrar
nessas erudições. Deve ser uma regra bem basal, tipo: a música não pode ser
igual ao produto final do sistema digestório.
Polêmico, esdrúxulo.
ResponderExcluirApesar de respeitar o funk como movimento, e reconhecer que ele tem bastante coisa boa, eu sou um dos que reconhecem que essa merda não é música. Mas há muito mais nele do que agride os nossos seletivos ouvidos.
E não se engane, Caio, o funk é, sim, patrocinado por uma grande indústria, mas que ganha dinheiro justamente com a sua baixa qualidade, assim como com com a baixa erudição (ou nenhuma) do seu público. E sempre piora, por que o interesse é não melhorar.
Como você (ui!), eu não gosto de funk. Acho que o que difere em nossas opiniões é que meus vizinhos me perturbam com MPB, e os seus, com funk. E, por mais que me irrite ouvir músicas do Roberto Carlos 1 milhão de vezes seguidas no último volume, você sabe que eu gosto dele, e, no fim das contas, acaba zerando. Com o funk dos seus vizinhos não dá pra zerar.
Haahah, tentei ser racional e construtivo como o Vivi, mas vou me bandear pro emocional... pq sair de madruga do trabalho, cansado, depois de mais de uma hora esperando um ônibus pra voltar pra casa, e ter q ouvir um fdp botando funk no celular é foda!
ResponderExcluirMeu único resquício de "tolerância" (me inspirando em Sartre!): o inferno não é o funk, o inferno são os outros!