terça-feira, 11 de dezembro de 2012

É por isso que o brazuca é bom de bola.

Prezados amigos!

Venho aqui no blog perturbá-los mais uma vez. O motivo seria outro, pois já tinha um texto engatilhado sobre gente sem noção. Porém, como gente sem noção irrita a gente todos os dias, qualquer dia esse texto sai. Em virtude de algumas coisas que ouvi nos últimos dois ou três dias, decidi trocar o tema.

Como alguns de vocês sabem (ou não), eu tenho o hábito (que não é bem um hábito...) de ouvir rádio. Gosto de ouvir as notícias pela manhã, e gosto de ouvir o programa do Antônio Carlos pela manhã, assim como o "Debates Populares" com o Roberto Canazio.

Como já disse, não é bem um hábito, mas eu gosto de ouvir sempre que posso. Gosto de ouvir as notícias por um viés mais popular. Mais confesso que tem ai uma tara de historiadorzinho: Gosto de ouvir e pensar em como as notícias são pensadas para manipular o povo e criar "opiniões" que se adaptem aos interesses dos cabeças da emissora de rádio (Rádio Bobo, desinformando!).

Não preciso nem dizer aqui que os programas passam valores esdrúxulos, distraem o povão com temas idiotas, e tiram o foco da real discussão com problemas irrelevantes. É só ouvir 5 minutos que vocês vão perceber isso. Porém, estes dias ouvi duas notícias que me chamaram a atenção, e que, nas voz dos "comunicadores" desta emissora, sem dúvida, formadora de opiniões, me assustaram um pouco e aguçaram minha vontade de escrever. E gostaria de compartilhar isso com vocês.

A primeira foi a discussão sobre o julgamento do mensalão, especialmente sobre se seria foro (eu querendo dar uma de juristinha que nem Caio, Drope e Bolets. Me corrijam se eu tiver aplicando este conceito de maneria equivocada) do STF ou da Câmara dos deputados cassar o mandato dos condenados no processo. A segunda foi outra discussão, sobre o fato de o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ter pedido o arquivamento do processo daquele cara de Volta Redonda que deixou a filha de dez meses no carro, o que levou à morte do bebê.

Gostaria de dizer o seguinte: Respeito as atribuições de cada poder, assim como acho que a organização é algo ESTRITAMENTE NECESSÁRIO  a qualquer atividade humana. E vocês sabem que eu sou chato para caralho com isso. Porém, eu acho que, legislativo no primeiro caso, e judiciário no segundo, estão defecando pela boca.

Vamos ao ocorrido: Nas duas discussões (é o que acontece, diariamente, sobre vários temas, no programa do Canazio), a maioria dos debatedores, que, em geral, são pessoas de "renome" na sociedade, achou que o legislativo deveria cassar os deputados, assim como concordou que é um absurdo o MP não oferecer denúncia, evitando que o pai que matou a filha foi a julgamento.

Vamos à minha opinião. Discordo da porra toda. Vou lhes dizer por que. Acho que, nestes casos, tanto a Câmara dos deputados quanto o judiciário estadual, assim como os debatedores do programa de rádio e o seu "Host", querem aparecer mais que todo mundo. Como já disse, respeito as atribuições de cada poder. Mas, no caso dos condenados e presos do mensalão, a cassação já não seria algo automático, dada a gravidade dos crimes e as atribuições do cargo em questão? Amigos juristas, me corrijam, mais uma vez, se for o caso. "Ah, mas o legislativo vai caçar de qualquer jeito!". Esse foi o mesmo argumento usado para defender o julgamento do pai, que, unanimemente, foi considerado culpado pelos debatedores do programa. "Ah, mas ele tem que ir a julgamento, nem que seja pra ser inocentado!".

Vou fazer uma analogia pra ver se vocês entendem o que eu quero dizer, antes de eu dizer, pra facilitar. Você chega em casa, a sua empregada doméstica mudou todos os móveis de sua sala de lugar. Obviamente, você não gostou. Começa a discutir com ela que o sofá deveria ficar em outro lugar, que a sua mesinha de canto ficou feia ali naquela outra parede, que aquele quadro ali está torto. Que quem deveria rearrumar a casa era você, e não ela. Puto, você acaba a discussão e manda ela embora pra casa. Porém, ao entrar na sua cozinha, você percebe o verdadeiro problema: Enquanto a sua empregada ficou o dia todo arrumando sua sala, a cozinha está um caos, e há uma pilha de louça para lavar. Você percebe que, ao invés de ficar discutindo com ela sobre a sala, deveria ter simplesmente dado um esporro  e mandado ela lavar a louça.

Acho que é isso que acontece no Brasil. Os poderes, em geral, não querem trabalhar. Ficam brigando sobre qualquer coisinha mediocre para aparecer, tipo a arrumação dos móveis da sala, quando a cozinha tá um caos e precisar ser arrumada. E essa posição é corroborada por uma mídia corrupta, que existe apenas para legitimar aquele grupo político que a favorece mais. Os formadores de opinião formam gente burra, que é incapaz de ler nas entrelinhas. Nós, professores (desculpem puxar a brasa, gente), ficamos sme ter muito o que fazer, pois onde a galera olha, seja internet, TV, rádio, tem alguém enfiando esse tipo de besteira na cabeça deles, desviando o olhar das coisas mais importantes.

Levar a julgamento um cara que todo mundo sabe que será absolvido? Só para "não ofender o orgulho do poder judiciário"?? Acho que o poder judiciário, corrupto, deveria se preocupar mais em fazer o seu trabalho. Esse pai é um idiota, e não um bandido, e o dever do judiciário é o de julgar bandidos. E a culpa que ele levará na cabeça o resto da vida já é, sim, uma pena bem grande. Muito maior do que poderia ser atribuida se ele fosse condenado.

Levar a plenário a cassação de deputados que já estão condenados pelo STF e devidamente enjaulados? Para que? Para adiar, mais uma vez, a votação daqueles projetos de lei eternos, aqueles que vão REALMENTE favorecer a população em alguma coisa? Acho que o legislativo brasileiro deveria pensar mais em legislar para o povo, em ser sério, em trabalhar, em abrir mão dos seus milhões de privilégios, do que em "ter suas atribuições desvirtuadas pelo Supremo".

Então gente, sinto que é um ponto polêmico e já falei demais. Vou parar por aqui. Mas espero que vocês tenham pego minha mensagem: Temos que nos preocupar com o que realmente importa, não com aquela velha disputa sobre quem é o dono da bola. Especialmente no país do futebol.

4 comentários:

  1. Nunca fui o cara mais antenado, e aos poucos passo disso para o alienamento total, nesses assuntos... Por isso vou ater meus comentários aos pontos q pude captar, e q são de maior interesse pra mim...!
    Se entendi bem, concordo com sua crítica q os programas de rádio são assim mesmo, e direcionamento e massificação da opinião, e espetáculo de mídia, e conflito entre poderes, etc...
    Mas acho q vc cai em contradição quando dá uma ênfase forte na organização, e tal, e depois critica procedimentos aparentemente burocráticos, mas q são assim exatamente pq as coisas exigem uma organização... senão, qual seria o critério? "É só um pai idiota, não vamos julgá-lo, há casos mais importantes em atraso"
    Entende q é uma questão complexa, no sentido q mexe com a estrutura toda da coisa?
    Se a lei, a proposta de organização do sistema é assim, é assim q tem q ser feita... "Ah, mas muita coisa q devia ser feita tb, não é!"
    Ok, mas a velha história de um erro não justificar outro...
    Enfim... sempre acho q nada disso faz muito sentido!

    ResponderExcluir
  2. Pereira, veja bem:

    No primeiro caso, o que há é um conflito na interpretação da lei, até onde eu também entendi, e não uma questão de organização. O Supremo não está tentando passar por cima da Câmara, e sim entende (e aqui eu tiro o "entende" pela opinião da maioria) que, se o cara já foi condenado, e teve seus direitos políticos cassados, em última instância, a perda do mandato é automática.

    No segundo caso, o Ministério Público não ofereceu denúncia. Um juiz arquivou o processo. A parte burocrática foi cumprida, o cara só não foi a julgamento, pois foi considerado "inocente", mesmo que preliminarmente.

    Portanto, não são casos de ingerência, quebra de hierarquia, falha burocrática, ou whatever. É, a partir da minha interpretação de leigo, e na minha humilde opinião, um mero chororô de quem reclama. Possivelmente para parecer que trabalha.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Agora ficou mais claro...!
      E sim, reiterando, de um jeito ou de outro, acho q tem mesmo a coisa do espetáculo, e o mostrar serviço, e tudo mais...
      Mas me parece q tudo é um ciclo, onde uma coisa causa a outra, e tudo depende entre si... Assim ações vão se legitimando, opiniões vão sendo formadas, pressões sendo exercidas, e o teatro (ou, mais próximo do seu tema, o jogo!) continua...

      Excluir
  3. Cara, bom texto. E eu concordo com o seu ponto principal, que tanto supremo quanto legislativo estão fazendo merda. A grande verdade é que o brasileiro, seja ele quem está no poder ou nao, nao tem o menor conhecimento de qual a funcao de cada instituicao. Prefere tratar tudo apenas como um grande botequim, onde todo mundo da opiniao e a casa da mae joana impera. Sabendo disso, nossos dignissimos governates jogam pra galera, fazendo movimentos estapafurdios que nao os competem... tudo sob aplauso, eh claro.

    ResponderExcluir